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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Lançamento do Livro "A Cultura Emergente" de Marcio Cruz

Olá pessoal!

Depois de um longo período afastado deste blog, estou finalmente de volta e aproveito para divulgar o meu livro em forma de e-book intitulado
A Cultura Emergente - Quebrando os Paradigmas do Pensamento Predominante, o qual eu escrevi durante a virada do milênio e por causa de uma série de eventos particulares na minha vida ele permaneceu engavetado. Embora tenha sido finalizado em 2003, ele permanece bem atual e recomendo aos meus seguidores que tiverem um pouco mais de curiosidade de ler os meus textos em uma narrativa mais longa e aprofundada.

No link logo abaixo vocês terão acesso à sinopse do e-book e detalhes para fazer o download (clicando no botão BUY ON AMAZON) e também a um preview limitado do conteúdo do livro com ajuste de tamanho da fonte, dependendo do seu dispositivo de leitura (clicando no botão READ PREVIEW). 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Água na Bunda


O presidente do painel da ONU sobre mudanças climáticas, Rajendra Pachauri, advertiu que a humanidade tem mais cinco anos para corrigir o rumo. Se nada for feito, segundo os cientistas, a desordem climática poderá ser irremediável. Diante de tal cenário, seria contraproducente tentar enumerar aqui todas as advertências sobre os riscos que corremos ao não darmos total atenção para a urgência de uma mudança radical no estilo de vida predatório que a humanidade insiste em levar adiante. Todavia, creio que vale ressaltar o furor causado pelo documentário "Uma Verdade Inconveniente", de Al Gore, o qual recebeu o Oscar de melhor documentário em 2007 e o crescente engajamento de institutos educacionais, ONGs e empresas em todo o mundo para promover práticas sustentáveis através de inovações tecnológicas diversas. Em meio ao esforço multilateral em busca por soluções, os efeitos do aquecimento global terão agora mais uma chance de serem minimizados na 5ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a qual será realizada entre os dias 7 e 19 de Dezembro, em Copenhagen, Dinamarca.

Enquanto isso, nosso ignorante presidente diz "...não podemos pensar na Amazônia como se fosse um santuário da humanidade" e a Petrobrás investe pesados recursos na exploração de combustível fóssil, seja com o tão alardeado pré-sal ou no recente arremate de duas provincias para exploração de petróleo na região da Patagônia. Essa visão do desenvolvimento humano totalmente míope e arrogante, a qual coloca o ser humano acima das outras espécies animais e vegetais, embora oportunista e conveniente em termos políticos, é ridiculamente obsoleta em termos científicos, morais e filosóficos (e que no final são os aspectos que realmente importam). Em plena contramão da História, o governo brasileiro está respondendo da seguinte maneira ao vídeo postado logo acima: danem-se os ursos polares!

E você? Vai esperar um governo cego, surdo e imediatista fazer algo para você assumir sua parcela de responsabilidade no grau de severidade do aquecimento global? Vai esperar o problema bater em sua porta como no video logo acima? Quantos ursos polares perecerão até a água bater na sua bunda e somente então você perceber que precisa fazer algo a respeito?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Crescei e Multiplicai-vos

Ao aguardar um prato feito em um restaurante do Top Center da Avenida Paulista, fiquei obervando quantas pessoas trafegavam pelo local. Já havia notado o enorme fluxo de pessoas na calçada e agora observava os transeuntes indo e vindo, subindo e descendo as escadas rolantes, desputando um lugar para comer em uma praça de alimentação completamente lotada.

Ao observar todo o movimento, fiquei especulando sobre o quanto somos hoje em dia e quais as consequências do nosso impacto sobre o meio ambiente. Em um artigo da Veja online eu li recentemente que a população mundial atual gira em torno de 6,8 bilhões, chegando aos 7 bilhões em 2012 e aos 9 bilhões em 2050! E aí eu me pergunto: para que tanta gente? Isso é realmente necessário? Ou, muito pelo contrário, é um sinalizador de um problema seríssimo que é o crescimento desenfreado e sem lógica da raça humana, análogo ao crescimento indesejado de um câncer? Se pararmos para analisar a questão em profundidade, veremos que infelizmente somos um problema tanto para o planeta Terra.

Quem viu o documentário da NatGeo Hits chamado “O Consumo Humano” (Human Footprint) sabe o quão assustador é o nosso impacto predatório sobre o meio ambiente. As estatísticas foram feitas com base no consumo médio dos ingleses ao longo de suas vidas, resultando em números alarmantes por indivíduo: 74.800 xícaras café, 30.000 barras de chocolate, 8 carros, 7.163 banhos, 656 sabonetes, 11.000 absorventes femininos, 6.000 litros cervejas, 1.694 garrafas de vinhos, 4.388 rolos de papel sanitário, 50 toneladas de comida e por aí vai. Agora, imaginem isso multiplicado por 7 ou 9 bilhões de pessoas!

Em que pese aqui a imensa complexidade do tema, a ausência de controle da natalidade deve-se, em parte, à influência da religião. A popular expressão bíblica “Crescei e multiplicai-vos” (Genesis 1:28) costuma ser usada para justificar o comportamento completamente fora de controle no que se refere à temática da procriação. Mas pior ainda é o restante do versículo: “Enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Ou seja, “atue sobre o mundo de uma forma predatória”, dando idéia de que além de ser desejável uma multiplicação desenfreada, os recursos naturais existem para serem explorados à vontade pelo ser humano. Sim, está na Bíblia, com todas as letras para quem quiser enxergar.

O fato do Vaticano ser contra o uso da camisinha assim como outras vertentes cristãs são a favor do sexo apenas para finalidades reprodutivas é uma forma totalmente inconsequente e prejudicial de ver o mundo. A disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e o total descontrole sobre a natalidade são os resultados nefastos da visão pecaminosa envolvendo o sexo que o Cristianismo dissemina de uma forma ou de outra. A reprovação do prazer sexual, então, só pode ser encarado como uma piada e mostra-se totalmente na contramão da abordagem de outras crenças que encaram o prazer sexual com muita naturalidade (vide a filosofia tântrica no Hinduísmo ou a divindade Baco – ou Dionísio – dentro do panteão greco-romano).

Isso sem mencionarmos a questão do estupro. A recente polêmica causada pela barbaridade envolvendo o caso da menina de 9 anos em Alagoinha, Pernambuco, que foi estuprada pelo padrasto e ficou grávida de gêmeos é um claro exemplo de total despreparo da Igreja para lidar com o assunto. A menina foi submetida à uma cirurgia para interromper a gravidez de altíssimo risco e depois, o infeliz Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, comentou que o aborto é um crime mais grave do que o estupro, excomungando da Igreja Católica a mãe e os médicos envolvidos no procedimento cirúrgico (vejam a matéria no site da Folha). O estuprador não foi excomungado (pasmem!) e o enorme sofrimento da menina de 9 anos foi completamente desconsiderado pelo religioso.

Assim, vemos que a abordagem do sexo, do controle da natalidade, da procriação e do estupro por parte do Cristianismo reflete apenas um aspecto da influência perniciosa desta religião sobre os rumos do mundo. Outros aspectos negativos da sua forte influência sobre a sociedade serão abordados mais adiante, em um momento mais oportuno.

Enquanto isso, sugiro que façamos muito sexo regrado apenas por uma boa dose de consciência.

Abs:

Marcio

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Uma Simples Questão de Fé

Na semana de comemoração dos 40 anos da chegada do homem à Lua (veja o excelente site comemorativo), é interessante observar as reações das pessoas. Muita gente ainda questiona a importância desse feito. Primeiramente, já é chavão o argumento de que seria muito mais útil gastar o dinheiro investido em missões espaciais no combate à fome na África. Tal justificativa, embora bem intencionada, é bastante simplista e limitada. Por exemplo: entre transferir recursos de uma missão espacial e os recursos da indústria bélica para um projeto cujo objetivo seja acabar com a fome, eu sou muito mais a favor da segunda opção. Além disso, acabar com a fome não resolve o problema das regiões castigadas pela extrema pobreza. Seria necessário ir muito mais além, fomentando a educação, controlando rigorosamente a natalidade, gerando emprego e moradia, tudo de acordo com as boas práticas de desenvolvimento sustentável. Por outro lado, a exploração científica nunca é uma iniciativa inútil e, se formos buscar as informações sobre os benefícios resultantes do avanço da tecnologia aeroespacial bem como das investigações científicas envolvidas, tanto na Terra quanto no espaço, vamos achar muitas aplicações na melhoria das condições humanas (confira alguns destes benefícios no site da Nasa). Ou seja, é preciso haver desenvolvimento tecnológico para gerar desenvolvimento econômico. E sem desenvolvimento econômico, não há como combater a fome bem como outros problemas sociais.

E sob o ponto de vista do espírito humano, nós nascemos para ser exploradores. Foi a curiosidade e o espírito da descoberta que fizeram o homem se aventurar pelos mares em busca de novos continentes. Hoje, nos encontramos na América do Sul graças ao advento das grandes explorações marítimas. Infelizmente, existe a fome física sim mas também existe a fome do espírito, da alma humana em busca de respostas e melhores condições de vida, e esta nunca poderá ser estrangulada, sob o risco de deixarmos de ser simplesmente humanos. Aos opositores de plantão, me desculpem: ciência e exploração espacial são questões fundamentais em nossa vida.

Mas apesar disso tudo, no final, parece que a chegada do homem à Lua acaba sendo reduzida à uma simples questão de fé: acreditar ou não. Em outras palavras, a chegada do homem à Lua acaba entrando para o hall dos anjos, fadas, elfos, gnomos, fantasmas, etc. E é justamente aqui que encontramos um ponto muito interessante. A falta de conhecimento faz o ser humano ter uma postura de fé frente às coisas que nunca deveriam ser encaradas desta forma. Por exemplo: ninguém sai por aí dizendo que acredita no automóvel. Sabemos que o automóvel existe, utilizamos o automóvel todos os dias, ou seja, é um engenho humano inquestionável, sobre o qual qualquer questionamento só poderia ser encarado como loucura. Agora, pegue o mesmo exemplo e tente aplicá-lo à uma tribo no meio da selva amazônica que nunca teve contato com a civilização. Tente convencer os indígenas de que existe uma máquina com 4 rodas capaz de transportar as pessoas de um lado para outro sem ter a opção de mostrar o automóvel para eles. Fácil convencer, não é?

Da mesma forma, muitas pessoas ainda se comportam como "indígenas que nunca tiveram contato com a civilização", alegando que o homem nunca poderia ter chegado à Lua por conta das mais estranhas justificativas. Coisas do tipo: "isso não está escrito na Bíblia", "o homem não pode brincar de ser Deus", "a Lua não tem porta" e por aí vai (vide a matéria "Brasileiros não acreditam, 40 anos depois, que o homem foi à Lua" do site G1). E o pior é que o ceticismo extremo não é apenas o subproduto de gente que não teve acesso à educação. Tem muita gente articulada, com pleno acesso à informação que continua a negar veementemente o grande feito (levanta-se aqui, todavia, a dúvida sobre a qualidade da educação envolvida), utilizando teorias de conspiração baseadas em alegações de que tanto as fotos como os filmes divulgados foram falsificados. Bom, não entrarei aqui no mérito da discussão sobre a autenticidade da conquista. Existe informação de sobra que comprova o incrível feito em sites de confiança na Internet e até em programas de TV a cabo como o MythBusters da Discovery Channel, dedicando um episódio inteiro à elucidação de todas essas teorias opositoras sem fundamento. Aqueles que quiserem pesquisar, divirtam-se...

Voltando ao foco do tema que eu quero desenvolver, é interessante notar que em ambos os casos (teorias simplistas ou elaboradas) a falta de conhecimento acaba gerando uma perspectiva de fé. Deveríamos encarar a chegada do homem à Lua como o exemplo do automóvel que eu citei anteriormente mas, ao contrário, achamos que o evento nunca existiu baseados simplesmente nas crenças. A crenca de que foi uma fraude, crença em teorias de conspiração, crença na Bíblia, crença na desconfiança, crença, crença e mais crença (para outros tipos de crença que também se encaixam na concepção geral deste post, sugiro a leitura dos tópicos "Atentado à Razão", "Segunda Idade das Trevas" "Fanatismo", "Liberdade!?!?!", "Evangelização" e "Deus é Gente", partes 1 e 2). O mais paradoxal é que a crença é capaz de negar até mesmo as evidências mais contundentes. Neste ponto, não interessa mais saber a verdade. A pessoa apega-se tão profundamente às suas próprias idéias que é incapaz de reconhecer que sua visão está furada, mesmo na frente da evidência mais palpável cujo significado derruba suas premissas mais arraigadas. Ela prefere se enganar ao invés de reconhecer o seu equívoco. Infelizmente, tal exemplo não se limita apenas ao caso da chegada do homem à Lua, mas expande-se também para todos os setores da nossa vida. Questões complexas como vida, morte, razão do universo, do mundo e do homem existirem, probabilidade de haver vida extraterreste, seja ela inteligente ou não, estão todas muito comprometidas pela intervenção de nossas crenças. Neste sentido, infelizmente, estamos muito longe de descobrir a verdade.

Desta maneira, vemos que o volume de crenças e supertições é inversamente proporcional à falta de conhecimento. A falta de conhecimento abre espaço para a proliferação das crenças, sejam elas religiosas, folclóricas, esotéricas, etc. Num mundo cada vez mais religioso, é fácil concluir que a educação constitui um sistema falido em nossa sociedade. Onde quer que tenha falhado a nossa educação, seja no seio familiar, nas escolas, no trabalho ou universidades, entrou a crença no lugar de uma forma muito fácil e forte para preencher a cratera da nossa abissal ignorância. E a Internet, como reflexo do mundo real, apenas replica o problema existente na forma de comunidades, grupos, movimentos, linhas de pensamento, seitas e religiões cada vez mais específicas. Perde-se assim a noção de convívio em sociedade, pluraridade e diversidade de idéias para fortalecer cada vez mais o individualismo, a especificidade e o sectarismo.

Por fim, depoimentos como o do servidor público José Ribamar Ribeiro, o qual justifica a suposta "fraude da NASA" na matéria do G1 (com a alegação: "Por que o homem nunca foi ao Sol?”) de forma tão simplória, vão continuar a acontecer por um bom tempo. Só espero que possamos ser muito mais humildes, reconhecer nossa ignorância e repudiar a imposição da crença como forma imediatista de cobrir nossos buracos interiores. Somente assim seremos realmente livres para caminhar paulatinamente em direção à verdade presente em todas as coisas.

Abs:

Marcio

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Retrocesso de 50

50 é o número do lamento, da indignação e da vergonha. Tenho vergonha de ser gente e cúmplice desse quadro tão absurdo causado por você leitor, eu e todos os outros seres humanos.

Saiu no site de notícias G1: "Mudança do clima trará retrocesso de 50 anos para países pobres". O artigo diz que os ganhos obtidos pelos países mais pobres nos últimos 50 anos podem ser perdidos totalmente e de forma irreparável devido às mudanças climáticas. Segundo o artigo, o maior impacto será o aumento da fome. Com as alterações sofridas na zona tropical, plantações de culturas-chave na alimentação humana, especialmente milho e arroz, estarão em risco.

Essa é uma catástrofe anunciada. Eu tenho acompanhado o alerta de ecologistas, cientistas, ONGs e institutos de pesquisa sobre os perigos do modelo de vida predatório que levamos desde o final da década de 1980 e, 20 anos depois, o que podemos dizer que foi feito a respeito? Absolutamente nada! Incrível, triste e muito desanimador...

Eu já estava prestes a comentar o retrocesso envolvendo nosso ignorante presidente Lula (e olhem que já fui petista!), o qual sancionou a medida provisória 485, quando a notícia de ontem sobre o retrocesso de 50 anos apareceu para acrescentar mais paroxismo à minha já inchada indignação. Mas não posso deixar de comentar o quanto que o nosso irresponsável e inconsequente presidente está na contramão da história ao sancionar a inacreditável lei. Numa época em que prega-se tanto a importância da sustentabilidade nos setores corporativos, em um período em que somos testemunhas dos esforços do mundo inteiro, inclusive de Barack Obama para adotar políticas de redução do impacto ambiental, vemos nosso "querido" presidente sancionando uma lei a favor do desmatamento na Amazônia. Segue o artigo sobre o assunto publicado pelo Greenpeace:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira a MP 422/08, conhecida como MP da Grilagem, que amplia de 500 para 1.500 hectares o limite de áreas invadidas na zona rural da Amazônia Legal que podem ser legalizadas pelo governo sem exigências, como uma licitação, por exemplo. Ao converter a medida em lei, Lula vetou o artigo que condicionava a regularização das propriedades ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE) dos estados. Colocando regras para a ocupação do território, o zoneamento determina quais áreas devem ser preservadas e quais podem ser destinadas a atividades econômicas mais intensas, como agricultura ou pecuária.

"O governo age de forma esquizofrênica. Cinco dias depois de lançar um ambicioso fundo para captar recursos para a proteção da Amazônia, o presidente Lula recua e dá um passo atrás em direção à destruição", disse Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia, do Greenpeace. "Além de aprovar a grilagem na maior floresta tropical do planeta, Lula vetou a única exigência que poderia qualificar o processo de ocupação dessas áreas na região. Assim, o governo está dando uma péssima sinalização aos potenciais doadores interessados em ajudar o Brasil a proteger a Amazônia."

Segundo Adario, essa benção irrestrita ao PAG, o Plano de Aceleração da Grilagem, só vem confirmar os temores de que o governo optou pelo pragmatismo eleitoreiro, em vez de ampliar os investimentos em atividades que ajudem a manter a floresta em pé e fortalecer as instituições encarregadas de zelar pelo patrimônio ambiental dos brasileiros, como Ibama e Polícia Federal" (fonte:site do Greenpeace).

Mas voltando à questão do pequeno retrocesso de 50 anos, estamos falando de graves danos aos países pobres, certo? Então, que se danem! Danem-se os outros, afinal, não tenho tempo para lamentar e muito menos culpa nessa estória. Sou um exemplo de ser humano! Faço tudo certo! Então, não me interessa essa notícia. Vou viver minha vida da forma como todo mundo vive. Vou mudar minhas atitudes enquanto todo mundo continua no conforto, depredando a natureza? Nem a pau! Vou é garantir o meu! Quem vier depois de mim que se vire para lidar com as mudanças climáticas! Não tô nem aí com o mundo... Quero que se danem todos!


Perdoem-me pelo alto teor de ironia mas, lá no fundo, é exatamente isso o que acontece. Deixar de jogar papelzinho ou lixo pesado na rua? Gastar menos tempo no chuveiro? Trocar a borrachinha da torneira que está vazando? Trocar minhas lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes? Deixar de imprimir tudo quanto é tranqueira que eu faço no computador? Comprar um carro mais econômico? Denunciar os desmatamentos que meu vizinho provocou? Comprar madeira licenciada pelo IBAMA? Deixar de matar aquele "bicho horrendo" que apareceu dentro da minha barraca no camping? Deixar de lavar a minha calçada? Votar em um político que prioriza a proteção ambiental? Ter mais interesse por assuntos envolvendo ecologia, sustentabilidade, aquecimento global e sistemas alternativos de energia? Sinto muito... É muito sacrifício e eu ainda nem faço nada de errado... Vou cuidar é da minha vida! Tenho mais o que fazer... E o mundo, enquanto isso, continua sua jornada a passos largos em direção à sua própria destruição.


E o tipo de comentário continuista que se segue ainda é muito passível de acontecer: "Mas Deus nunca deixaria isso acontecer com a gente, certo?" Nãããoooo... errado!!! Muito errado! Fazendo uso de uma analogia, é como se estivéssemos em um navio que está afundando e os passageiros começassem a rezar, acreditando que Deus se encarregará de salvar nossas almas ao invés de fazermos algo de concreto para salvar nossas vidas.


Logo, se não mudarmos agora o nosso comportamento altamente consumista, imediatista e individualista, o impacto do aquecimento global baterá muito em breve em nossa porta, fruto de um efeito dominó, não interessa se somos ateus ou crentes, pobres ou ricos, gregos ou troianos. Todos nós, sem exceção, retroalimentamos o estilo de vida continuista que acabará nos matando! O perigo está muito longe de ser uma novidade e, por mais paradoxal que isso possa parecer, continuamos em rota de colisão contra nossa própria existência...

Então, eu só posso propor um brinde:

Viva o retrocesso de 50! Somos todos um bando de primatas suicidas!