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sábado, 17 de julho de 2010

Para Quem Acredita (parte 1)

No post anterior eu abordei a questão da mudança de cenário no que se refere à ciência oficial aceitar a possibilidade de não estarmos sós no universo, seja na condição de formas de vida bacteriana, formas mais complexas ou até mesmo civilizações extraterrestres. Todavia, existe um grande grupo de pessoas que não somente leva essa possibilidade facilmente em consideração há bastante tempo, como está convicto de que estamos sendo visitados por ETs, que é possível estabelecer contato com tais entidades, saber quais seriam seus objetivos e ainda cultivar um ar de superioridade pelo posicionamento "tão cético e primitivo" da ciência oficial em relação ao assunto. Se você se identifica com esse perfil, este post foi escrito especialmente para você.

Antes da “fenomenologia ufológica”, existe o que eu chamaria de “fenomenologia humana”, questão sobre a qual ninguém menciona nada, sendo a mesma fundamental no entendimento do universo ufológico. Dentro dos meios esotéricos bem como na ufologia assim chamada de “mísitica” (classificação, aliás, que eu acho estúpida), encontramos muitas informações que falam abertamente sobre frotas de naves extraterrestres (de acordo com os seguidores de Ashtar Sheran, suposto comandante extraterrestre, este seria responsável por uma frota de 15 milhões de naves!), inúmeros seres desta e de outras dimensões, constante monitoramento e profundo interesse por parte dos ETs pela raça humana. Além disso, “parcerias” entre o governo americano e os chamados “greys”, “parcerias” entre a Fraternidade Branca e os ETs de “dimensões mais elevadas”, “intraterrenos” e até “ultraterrestres” (o que seria isto afinal?) borbulham em livros, palestras, vivências e vigílias de grupos mistico-esotéricos. Existe uma farta literatura por aí especulando não somente sobre as origens mas também sobre as intenções e atividade de diversas civilizações, sejam elas físicas ou extrafísicas, todas elas com suas atenções voltadas para o planeta Terra. A Internet mesmo é um vasto meio de proliferação dessas idéias e explicações sobre o que seriam e quais seriam as intenções dessas entidades extraterrestres abundam sem controle algum. Se fosse possível catalogar todo material diponível sobre essas crenças, ficaríamos surpresos com a absurda quantidade de seres extraterrestres das mais variadas procedências e condições diferenciadas de existência que é apregoada por aí, sendo que, na somatória, todos teriam interesse nos rumos da raça humana e do planeta Terra.

Mas será que é isso mesmo? No post “Ufologia Dissecada” eu abordo um tema que questiona o seguinte: se toda a fenomenologia dita “ufológica” for levada em consideração, o planeta Terra só pode ser considerado o lugar mais interessante do universo. Seria a Terra, portanto, um lugar muito especial? Vamos ver...

Do ponto de vista do vídeo Pálido Ponto Azul, o qual faz parte do post de apresentação deste blog, a Terra não é nenhum lugar especial. Situados na periferia da Via Láctea contornando uma estrela que está muito longe de ser a maior da galáxia, somos um minúsculo grão de areia em uma praia descomunal. É comum na literatura esotérica o chamamento de atenção para o perigo da raça humana terminar em um grande conflito nuclear, e que a destruição da Terra, através de uma guerra com arsenal atômico, causaria danos às civilizações extraterrestres. Nisto residiria o fato de algumas civilizações extraterrestres estarem monitorando as atividades humanas, com o intuito de evitar uma eventual catástrofe. Este tipo de argumento, embora comum, não passa de um mito pois existem explosões de magnitude infinitamente maior em estrelas gigantes se comparadas com o nosso Sol (de 50 a 100 vezes o tamanho da nossa estrela!), as quais ocorrem o tempo todo no universo. Até onde sabemos, nenhuma delas está sequer perto de afetar minimamente o equilíbrio do universo. Portanto, a pergunta que parece óbvia é a seguinte: porque uma eventual explosão de um planetinha tão diminuto quanto a Terra poderia ter qualquer importância para uma civilização extraterrestre?

Ao assistir um vídeo sobre o documentário do Discovery Channel intitulado “Alien Planet”, eu observei o físico Michio Kaku abordar esta questão com muita lucidez e humildade. Segundo o físico, é possível que haja civilizações extraterrestres muito mais avançadas em nosso universo mas, para a tristeza de muitos humanos, seu interesse por nós seria muito questionável. Ele utilizou uma analogia para exemplificar nossas diferenças, representadas pela distância entre nós e as formigas, supondo que nós, terráqueos, fossemos as formigas e os ETs fossem os humanos. Em nosso hipotético exemplo, foi contruída uma rodovia ao lado de um formigueiro. Do ponto de vista da formiga, há qualquer consciência sobre a existência de uma rodovia, carros e, obviamente, seres humanos dentro desses carros? Existe qualquer interesse por parte da colônia de formigas em detectar seres humanos? Existiria tecnologia na colônia de formigas capaz de detectar a presença de seres humanos e depois estabelecer qualquer forma de contato com eles? E do ponto de vista humano: existe qualquer interesse nas formigas ao lado da rodovia? Estaríamos interessados nelas ou passaríamos por cima das mesmas sem nem perceber que elas estão em nosso caminho? Ou pior: justamente por percebê-las é que teríamos o desejo de eliminá-las?

Não quero ser estraga prazeres do exército de crédulos, insinuando que de toda a fenomenologia ufológica apresentada, nada se salva ao ponto de não sobrar nenhuma possibilidade de estarmos sendo visitados por alienígenas. Se nós já enviamos sondas espaciais e missões robóticas para outros planetas com uma certa frequência e sucesso, imagino que civilizações muito mais antigas possam fazer o mesmo com muito mais competência. Destas maneira, não posso descartar essa possibilidade. Todavia, há de se frisar que tal possibilidade deveria ser em uma proporção imensamente menor ao que é apregoado por aí pelos ufólogos, não importa a linha de interpretação (científicos ou místicos pela estúpida classificação). E com relação aos objetivos das poucas visitas que talvez pudessem ser consideradas, suponho que estas não deveriam ter necessariamente qualquer vínculo com os interesses dos seres humanos. Do ponto de vista alienígena, é possível que estivessem interessados em suas próprias pesquisas, as quais poderiam até envolver seres humanos, mas não pelos motivos que gostaríamos que fossem. Por mais duro que isso possa parecer, a verdade não tem necessariamente qualquer ligação com os nossos desejos, carências, aspirações e megalomanias enebriantes.

Se por um lado, há muitas coisas para além das quais nossa ciência ainda é incapaz de trazer respostas satisfatórias, por outro, existe uma imensa infinidade de crenças, sejam elas místicas, esotéricas, religiosas ou ufológicas que, justamente por serem apenas crenças, só desinformam e desorientam ao invés de trazer o tão almejado conhecimento para a gente. E tais crenças, infelizmente, ocupam a maior parte do material escrito e divulgado em livros, palestras, vídeos, encontros, vivências em grupo e outras manifestações populares. Desta maneira, creio que o nosso papel é o de sermos garimpeiros criteriosos, selecionando muito bem o que lemos, vemos e ouvimos de outros e trabalhando arduamente na "construção do nosso próprio conhecimento", sem deixar-nos influenciar pelo religioso V, pelo guru X, pelo movimento Y ou pelo ufólogo Z.

A comparação é sempre uma ferramente muito válida e, ao observar as pessoas à minha volta, pude notar o pouco conhecimento histórico que possuímos. Não se trata apenas de uma ignorância generalizada sobre História Antiga mas também uma falta de conhecimento sobre nossa história recente, fator ainda mais pertubador na minha opinião. Por exemplo: a Internet é parte integrante de nossas vidas, utilizamos a grande rede todos os dias e é impressionante o quanto que nós desconhemos sobre os inúmeros esforços, descobertas e conquistas em diferentes campos do conhecimento humano que tiveram que ocorrer para viabilizar o uso da Internet da forma como nós a conhecemos hoje. Nós apenas sentamos na frente do computador e utilizamos a grande rede, sem fazer idéia do quanto isso é revolucionário. Peguem qualquer artigo sobre a história da tecnologia e vocês terão uma idéia do que estou tentando transmitir. Em outras palavras, 50 anos de história já parecem ser coisa demais para nossas humildes cabecinhas, preocupadas que elas estão com os problemas diários e a sobrevivência quase sempre com muito sacrifício. Agora, imaginem uma civilização não com 100 ou 200 anos de desenvolvimento a nossa frente mas sim uns 100.000, 200.000 ou até mesmo 1 milhão de anos à nossa frente. Somos péssimos para lidar com números, então, cito os 6.000 anos de civilização humana só para pôr essa questão em uma perspectiva mais realista. Um milhão de anos seria absurdamente mais do que toda a história da civilização humana reunida, a qual a maioria de nós desconhece em maior ou menor grau. Qual seria então a história de uma civilização com 1 milhão de anos? Que processos, dificuldades e privações tiveram que enfrentar? Qual seria o real tamanho de suas conquistas civilizatórias? O que descobriram, inventaram e superaram ao longo de tanto tempo? Qual seria a visão de mundo e de vida desses seres? Qual seria o poder dessas civilizações? Se foram necessários 6.000 anos de civilização para chegarmos ao ponto de tentar descobrir se existem planetas como o nosso nas imediações da nossa galáxia (vide as informações sobre a Missão Kepler no post "Para Quem Não Acredita"), qual seria o tempo de existência e o poder correspondente de uma civilização capaz de deslocar-se por distâncias tão absurdas, as quais nós ainda nem vencemos com o alcance do olhar dos nossos mais avançados telescópios!?!?!

Uma especulação que eu gosto de fazer, baseado nas hipóteses sobre o tempo de existência das civilizações mais avançadas (novamente a escala Kardashev), e em conformidade com o nome deste blog, é tentar perceber as coisas sob o ponto de vista de uma hipotética civilização extraterrestre. Explico: se nós, terráqueos, tivéssemos a oportunidade de estudar um planeta distante com uma população de macacos alienígenas, de que forma agiríamos? Supondo que eu fosse algo parecido com um biólogo ou psicólogo behaviorista, talvez eu quisesse observar de perto o comportamento desses macacos sob 2 perspectivas diferentes: observando-os em suas condições naturais, sem qualquer tipo de intervenção, ou aplicando-lhes diferentes estímulos. E entendam estímulos aqui como um "contato" da nossa parte. Sim, imaginem um suposto contato alienígena como um estímulo e/ou intervenção, com o objetivo de efetuar alguma espécie de análise ou estudo. E apesar do argumento sempre presente de que "os ETs respeitam nosso livre-arbítrio" (idéia comum nos meios ufológicos), é preciso lembrar que intervimos sempre no reino animal com nossas próprias pesquisas, mesmo que estejamos apenas filmando um macaco à distância no meio da selva para produzir um documentário. Do ponto de vista do macaco, poderíamos parecer "alienígenas" com uma avançada tecnologia de monitoramento.

E já posso ouvir aquele velho argumento dentro da minha mente por parte dos crédulos: "mas será que eles não fizeram pesquisas o suficiente neste planeta com a gente? Não posso aceitar tal hipótese." Quanto a isso, eu diria o seguinte: em primeiro lugar, não temos moral para ser contra supostas pesquisas alienígenas, uma vez que nós mesmos fazemos isso o tempo todo, seja com seres humanos ou com animais. Em segundo lugar, partindo do pressuposto de que somos visitados por entidades alienígenas, não temos condições de saber se foram feitas muitas pesquisas ou não (não temos acesso ao banco de dados alienígena para saber há quanto tempo isso estaria sendo feito). Em terceiro lugar, existe uma premissa muito errada de que o conhecimento é finito e, a partir de certo momento, qualquer estudo ou análise deixam de ser necessários porque partimos do princípio que "já aprendemos tudo sobre determinado assunto". Falácia inocente da nossa mente. Se assim o fosse, estaríamos plenamente satisfeitos com as explicações sobre nossa origem e vida que são encontradas às pencas na Bíblia. Além disso, nossa tecnologia se desenvolve exponencialmente a cada dia, revelando-nos aspectos da vida que até então eram completamente desconsiderados. Portanto, voltemos à experiência com os macacos alienígenas.

Se a hipótese de que estamos sendo visitados for correta, não seria nem um pouco insensato pensar que pareceríamos fósseis vivos para tais civilizações. Lembrem-se do exemplo das formigas e vocês entenderão onde quero chegar com isso. Utilizando mais uma vez a comparação, não seríamos mais do que macacos superdesenvolvidos para tais seres, com comportamento agressivo, temperamento altamente emotivo, limitação mental, baixa expectativa de vida, desorganizados socialmente, predominantemente supersticiosos e com um estilo de vida inegavelmente suicida. Como no exemplo das formigas, o distanciamento entre nós e eles seria tão incomensuravelmente grande que inviabilizaria qualquer conversa ou outra forma de comunicação. Não acredito que a comunicação em si seria o problema e sim a ausência de referências, de padrões de comparação viáveis ao nosso entendimento. Ou se por um acaso eles tomassem a iniciativa de um contato, com um suposto "conhecimento do nosso nível de entendimento", nossa capacidade de distorção, devido às nossas limitações, estragaria qualquer tipo de diálogo.

Isso trás à tona uma outra questão muito polêmica para os crédulos: a crença de que algumas pessoas estariam recebendo mensagens dos extraterrestres por vias telepáticas. Em conformidade com o parágrafo anterior, fica muito difícil aceitar o conteúdo dessas supostas mensagens, as quais parecem proliferar como uma doença nos meios místico-esotéricos. Mensagens com conteúdo previsível, visivelmente influenciadas pelo contexto humano e com uma forte carga de influência messiânica-religiosa. Como poderia, por exemplo, uma civilização extraterrestre sabe-se lá quanto tempo mais avançada que a nossa entrar em contato conosco para endossar nossas crenças, reforçar nossas superstições, ressaltar nosso ego e causar ainda mais ignorância ao "dizerem que devemos seguir nossos mestres terráqueos"? Se seguir tais ensinamentos fosse a resposta para nossos problemas, há muito nosso planeta teria se transfomado em um lugar melhor para se viver. Levando-se em conta o distanciamento ressaltado pela analogia da formiga, fica extremamente óbvio que as pessoas estão, mesmo incoscientemente, criando essas mensagens dentro das suas próprias cabeças do início ao fim. Não há, na esmagadora maioria dos casos, qualquer evidência de um eventual contato alienígena, por mais que as pessoas estejam afetadas emocionalmente pela "experiência". Mesmo se houvesse uma possibilidade de contato real por vias telepáticas, a mensagem resultante teria enormes chances de ser distorcida pela nossa mente, comprometendo seriamente o conteúdo original.

Desta maneira, termino este post da mesma forma que terminei o post "Para Quem Não Acredita". Longe de querer encerrar a questão abordada, ficará a critério do leitor chegar às suas próprias conclusões, as quais serão inevitavelmente temporárias. Explorando o outro lado da balança, do ponto de vista de quem acredita nos discos voadores, deixo aqui o meu profundo alerta sobre um assunto que há muito virou um dogma de fé. Na verdade, este post terá uma sequência onde tratarei melhor deste ponto, ficando aqui apenas uma reflexão: apesar do aparente pessimismo em relação a espécie humana, eu acredito sim em um futuro melhor. Mas acredito que o mesmo só será realizável, quando a gente descer do nosso enorme pedestal e encarar humildemente a nossa condição de completa ignorância.

Abs,

Marcio

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Conflito Religioso

Desde o início deste blog venho alertando para a tendência de uma caminhada acelerada da nossa sociedade em direção a uma Segunda Idade das Trevas. Ao longo de alguns posts do ano de 2009, reforço a tendência da escalada da religiosidade sobre o mundo resultar em intolerância, violência e escaramuças em lugares até então imunes a esse tipo de conflito, fruto de um fanatismo galopante e uma deprimente estreiteza de visão. Alguns acharam que eu estava exagerando loucamente, pois o Brasil é um país livre e democrático, gozando de plena “liberdade religiosa” e que isso nunca teria chances de acontecer por aqui. Mas talvez tenha sido justamente o pouco caso do Estado para o crescimento descontrolado do poder das religiões, especialmente as de caráter evangélico, um dos fatores que proporcionaram as condições para a estupidez que repasso a seguir. Vejam abaixo duas notícias na íntegra do site de notícias G1. Isso me parece apenas o começo do absurdo retrocesso, atos tão repugnantes e inaceitáveis que me fazem até pensar em ataques contra os ateus:

1) Evangélicos invadem centro espírita no Catete, diz polícia

Segundo a Polícia Civil, invasores quebraram imagens e móveis do local. A polícia ainda não sabe o que motivou o crime.

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo





Um grupo de pessoas invadiu um centro espírita na noite desta segunda-feira (2) na Rua Bento Lisboa, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro, e destruiu várias imagens que estavam sobre o altar.




De acordo com freqüentadores, o centro existe há 80 anos e nunca tinha sofrido nenhuma invasão. Quando os manifestantes chegaram, muita gente ainda aguardava do lado de fora do prédio para acompanhar uma celebração.


Segundo Edmar Castelo Branco, a responsável pelo centro, as provocações começaram na fila. "Tinha uma fila com mais de 60 pessoas e aí eles começaram a provocar na fila. Aí empurraram a porta, abriram a porta e entraram já xingando e quebrando todos os santos."


Segundo a 9ª DP (Catete), em depoimento, os suspeitos afirmaram ser evangélicos. Pelo menos cinco carros do 2º BPM (Botafogo) foram para o local na tentativa de conter o tumulto. A polícia ainda não divulgou os nomes dos invasores. Ninguém ficou ferido.


Ainda não se sabe o que motivou o crime. Quatro suspeitos e freqüentadores do local prestaram depoimento na delegacia.

2) Templo cigano é alvo de vandalismo na Freguesia, diz religioso

Várias imagens que estavam sobre o altar foram destruídas.

Segundo a polícia, caso foi registrado como intolerância religiosa.

Rodrigo Vianna Do G1, no Rio




Um grupo de pessoas invadiu o templo cigano Tsara Antal Kóczé, na Estrada do Gabinal, na Freguesia, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e destruiu várias imagens que estavam sobre o altar. Segundo o sacerdote Renato D’Obaluaê, de 48 anos, o centro existe há um mês e nunca tinha sofrido invasão.





O crime ocorreu na madrugada de quinta-feira (11). “O templo é vinculado ao umbandismo, mas as reuniões são tranquilas, não há uso de atabaques, não fazemos barulho e nem atrapalhamos os vizinhos. Ontem (quinta) eu cheguei ao templo com um dos diretores do local e encontramos o salão completamente destruído”, disse o sacerdote.


No momento do crime o templo estava vazio. Além das imagens quebradas, os criminosos destruíram cadeiras, vasos, cortinas e janelas. De acordo com Renato D’Obaluaê, a ação foi registrada na delegacia como intolerância religiosa, com base na lei 7716/89 (Lei Caó).


“Roubo não foi, porque nada foi roubado. Isso é um absurdo, e tem que acabar. Outros casos já aconteceram na cidade e, apesar das manifestações e da legislação, nada acontece contra os responsáveis. O caso é típico de vandalismo”, declarou.


Policiais da 32º DP (Taquara), onde o caso foi registrado, fizeram a perícia no local. Os agentes ainda investigam as causas do crime.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Somos Uns Animais

Falando sobre semelhança genética, qual é o maior grau de parentesco: entre um chimpanzé e um ser humano ou entre um rato e um camundongo? Resposta provável: é óbvio que é entre o rato e o camundongo, certo? Não! Errado!

Ouvi essa surpreendente afirmação no programa de rádio do SETI Institute, Are We Alone?, mais precisamente no especial “What Makes Us Human Part II: Adaptability”. No referido programa, uma professora da Universidade da Califórnia, Katherine S. Pollard, especialista em métodos computacionais e estatísticas para a análise de dados genéticos massivos comentou sobre as imensas similaridades entre nós e os primatas superiores: nós compartilhamos mais genes com os macacos do que os ratos compartilham com os camundongos. Eu já tinha ouvido falar em 97, 98 e até 99% de compartilhamento entre nós e os nossos primos primatas mas, de qualquer maneira, achei a afirmação acima muito mais intuitiva. Isso é um soco muito bem dado na nossa cara cheia de prepotência, em nossa face encharcada com o sangue podre da soberba e da arrogância.

No blog Pensamento em Extinção, o Roni escreveu um post intitulado “Os Donos da Praia”, no qual é falado sobre nossa pretensa superioridade em relação aos outros animais. O texto ironiza ao salientar que não queremos cães nas praias por causa da sujeira que eles fazem sendo que nós, por outro lado, sujamos muito mais as mesmas praias com urina, fezes e toda sorte de lixo orgânico e inorgânico (incluindo a lixarada oferecida à Iemanjá). Hipocrisia inaceitável se pararmos ainda para pensar que todos os animais estavam aqui na Terra muito antes da gente e somos nós os invasores desse ambiente. Expressões cotidianas do tipo “esses animais” ou “isso não se faz nem com um animal” (como se, com um animal, qualquer barbaridade fosse permissível) dão o tom de opulenta superioridade em nossa cultura, eternizando um equívoco milenar que acabará levando-nos ao encontro da nossa própria extinção, uma vez que é mais do que sabido que precisamos das outras espécies animais e vegetais para sobreviver.

Parte dessa falsa noção de superioridade no mundo ocidental existe por culpa do Cristianismo. No post “Crescei e Multiplicaivo-vos”, destaco o absurdo contido no capítulo 1, versículo 28 do Gênesis Bíblico, o qual menciona: “Enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Em outras palavras, a passagem diz “atue sobre o mundo de uma forma predatória”, oficializando a conveniente existência dos animais com o propósito de servir ao homem. Em outros momentos do Velho Testamento, é comum a descrição de sacrifícios com animais (rituais abomináveis presentes também no Judaísmo, Islamismo e cultos de origem africana) em nome de Yaveh, o Deus sedento por sangue. E já no Novo Testamento, é interessante observar que a vinda de Jesus está vinculada ao salvamento dos homens. Em nenhum momento é dito que Jesus veio ao mundo para salvar os golfinhos, as girafas, os leões ou os chimpanzés. Ou seja, que se danem os bichos!

É inaceitável, ainda mais no mundo muito bem informado de hoje em dia, assistir passivamente a exploração dos animais sob as mais diferentes formas, como por exemplo, em circos e outras apresentações para nosso ordinário entreterimento. Em um outro episódio do Are We Alone?, Charles Siebert, autor do livro The Wauchula Woods Accord: Toward a New Understanding of Animals, fala sobre sua experiência com os primatas superiores, especialmente os chimpanzés que outrora trabalharam em circos ou programas de televisão. Suas pesquisas mostraram que existe um híbrido entre humanos e chimpanzés, o que ele chamou de “humanzee” (“humanzé” em minha livre tradução), consistindo nos primatas que foram retirados ainda bebês de suas mães para conviverem com humanos ao longo de toda sua vida. Tais primatas culminam em uma irreversível condição na qual não podem ser mais reintegrados ao meio ambiente de origem, pois cresceram e foram acostumados a viver em um ambiente humano que não tem nada mais a ver com a selva da onde foram retirados. Assim, aqueles que conseguem sobreviver aos mal-tratos acabam em retiros ou refúgios patrocinados por ONGs, para terminarem sua vida de servidão ao homem da forma mais digna possível.

O consolidado senso de superioridade em relação aos animais é ainda maior e muito mais revoltante se considerarmos os vídeos na Internet revelando a retirada de pele de animais ainda vivos como cães e gatos na China, ou as condições bárbaras nas quais são mantidos cães na Coréia do Sul antes de serem abatidos pelos restaurantes para servirem de iguaria. Não tenho estômago nem frieza para ver tais vídeos mas, com o objetivo de informar e compartilhar minha completa indignação, seguem 3 links: Stop LIVE animal skinning in China, Animal Saviors e Stop Killing Dogs. Sei que existem muito mais coisas na Internet a respeito do assunto mas não consigo suportar muito tempo neste nível paradoxal de crueldade...

Em resumo, precisamos de um mundo muito mais inteligente. Em um momento em que se fala tanto em sustentabilidade, devemos parar para refletir em profundidade sobre o quanto estamos atrelados às outras espécies (desde as “mais bonitinhas” até as “mais nojentas”), seja por conta da interconexão entre os elementos do mundo natural, seja pelo inegável parentesco genético ou pela enorme potencialidade de benefícios em pesquisas científicas diversas. Tudo o que fazemos, desde as mais simples formas de comportamento até os nossos mais sofisticados hábitos de compra afetam o meio ambiente pelo simples fato de que somos muitos e o nosso planeta já não dá conta de manter esses animais que “deram tão certo” às custas das outras espécies viventes.

Mas o que importa nessa estória toda é que eu estarei com minha vida sã e salva por Jesus quando falecer, não é mesmo?

Abs,

Marcio

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Pior dos EUA

A ex-governadora do Alasca e ex-candidata à Vice-Presidência pelo partido republicano, Sarah Palin (foto ao lado), pediu na última quarta-feira (dia 09/12) ao presidente Barack Obama que "boicote" a cúpula sobre a mudança climática, a qual acontece em Copenhaguen, Dinamarca (fonte:site G1). Segundo a ex-governadora, a conferência é politizada e todas as propostas de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa estão longe de recompensar os custos econômicos. Acrescentou ainda que não há provas de que o aquecimento global está sendo causado por atividades humanas, que a cúpula do clima não trará nenhum benefício concreto e que ainda causará prejuízos à economia americana. A política baseou seus "sensatos" argumentos no recente escândalo que vem sendo chamado de "Climagate", no qual o roubo de e-mails comprometedores sobre a mudança climática trocados entre cientistas britânicos revelou uma suposta manipulação de dados para dar uma "aparência" mais grave ao aquecimento global.


As absurdas declarações dessa "decente senhora" refletem muito bem um perfil bastante desprezível de norteamericanos, os quais só enxergam o próprio umbigo, lutam com todas as armas disponíveis para proteger seus interesses imediatistas e acreditam que o mundo deveria ser regido pelas leis da Bíblia. Conforme mencionei no post "Segunda Idade das Trevas", existe um tipo específico de norteamericano que mora no interior, dirige sua caminhonete altamente poluidora, consome tudo em demasia e acha que a Terra acabará em breve mas ele, como bom cristão, estará são e salvo para viver eternamente ao lado de Deus. Já teve até político no congresso americano dizendo que o aquecimento global é fruto da vontade de Deus e não os efeitos da ação do homem sobre o mundo. Esse perfil é bastante representativo da ala de extrema direita do partido republicano, concentrando aquilo de pior que existe nos EUA através de pessoas com pensamentos tão obtusos, tradicionais e fundamentalistas quanto aqueles que orientam os interesses dos terroristas islâmicos.


Nem mesmo os americanos gostam de Sarah Palin, sendo frequente alvo de ridicularização no programa Late Show de David Letterman (que no Brasil é veiculado pelo canal por assinatura GNT). Portanto, nada mais justo do que dedicar um post em repúdio ao comportamento retrógrado, inaceitável nos dias de hoje, o qual representa um perigo real para as tomadas de decisão em assuntos importantes para o presente e futuro do planeta.


Em relação à utilização do caso "Climagate" para justificar a continuidade de um estilo de vida imediatista e predatório eu peço desculpas mas não vou nem comentar... Existe uma incontável quantidade de evidências, oriundas de diversas fontes científicas ao redor do mundo que alertam-nos para as causas humanas envolvidas no aquecimento global. Está tudo aí disponível há anos para quem estiver a fim de pesquisar em livros, revistas, documentários, Internet, etc. Mais do que querer tapar o Sol com a peneira, não querer encarar a realidade dos fatos é simplesmente um crime contra o planeta e suas futuras gerações.


Abs:

Marcio

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Crescei e Multiplicai-vos

Ao aguardar um prato feito em um restaurante do Top Center da Avenida Paulista, fiquei obervando quantas pessoas trafegavam pelo local. Já havia notado o enorme fluxo de pessoas na calçada e agora observava os transeuntes indo e vindo, subindo e descendo as escadas rolantes, desputando um lugar para comer em uma praça de alimentação completamente lotada.

Ao observar todo o movimento, fiquei especulando sobre o quanto somos hoje em dia e quais as consequências do nosso impacto sobre o meio ambiente. Em um artigo da Veja online eu li recentemente que a população mundial atual gira em torno de 6,8 bilhões, chegando aos 7 bilhões em 2012 e aos 9 bilhões em 2050! E aí eu me pergunto: para que tanta gente? Isso é realmente necessário? Ou, muito pelo contrário, é um sinalizador de um problema seríssimo que é o crescimento desenfreado e sem lógica da raça humana, análogo ao crescimento indesejado de um câncer? Se pararmos para analisar a questão em profundidade, veremos que infelizmente somos um problema tanto para o planeta Terra.

Quem viu o documentário da NatGeo Hits chamado “O Consumo Humano” (Human Footprint) sabe o quão assustador é o nosso impacto predatório sobre o meio ambiente. As estatísticas foram feitas com base no consumo médio dos ingleses ao longo de suas vidas, resultando em números alarmantes por indivíduo: 74.800 xícaras café, 30.000 barras de chocolate, 8 carros, 7.163 banhos, 656 sabonetes, 11.000 absorventes femininos, 6.000 litros cervejas, 1.694 garrafas de vinhos, 4.388 rolos de papel sanitário, 50 toneladas de comida e por aí vai. Agora, imaginem isso multiplicado por 7 ou 9 bilhões de pessoas!

Em que pese aqui a imensa complexidade do tema, a ausência de controle da natalidade deve-se, em parte, à influência da religião. A popular expressão bíblica “Crescei e multiplicai-vos” (Genesis 1:28) costuma ser usada para justificar o comportamento completamente fora de controle no que se refere à temática da procriação. Mas pior ainda é o restante do versículo: “Enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. Ou seja, “atue sobre o mundo de uma forma predatória”, dando idéia de que além de ser desejável uma multiplicação desenfreada, os recursos naturais existem para serem explorados à vontade pelo ser humano. Sim, está na Bíblia, com todas as letras para quem quiser enxergar.

O fato do Vaticano ser contra o uso da camisinha assim como outras vertentes cristãs são a favor do sexo apenas para finalidades reprodutivas é uma forma totalmente inconsequente e prejudicial de ver o mundo. A disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e o total descontrole sobre a natalidade são os resultados nefastos da visão pecaminosa envolvendo o sexo que o Cristianismo dissemina de uma forma ou de outra. A reprovação do prazer sexual, então, só pode ser encarado como uma piada e mostra-se totalmente na contramão da abordagem de outras crenças que encaram o prazer sexual com muita naturalidade (vide a filosofia tântrica no Hinduísmo ou a divindade Baco – ou Dionísio – dentro do panteão greco-romano).

Isso sem mencionarmos a questão do estupro. A recente polêmica causada pela barbaridade envolvendo o caso da menina de 9 anos em Alagoinha, Pernambuco, que foi estuprada pelo padrasto e ficou grávida de gêmeos é um claro exemplo de total despreparo da Igreja para lidar com o assunto. A menina foi submetida à uma cirurgia para interromper a gravidez de altíssimo risco e depois, o infeliz Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, comentou que o aborto é um crime mais grave do que o estupro, excomungando da Igreja Católica a mãe e os médicos envolvidos no procedimento cirúrgico (vejam a matéria no site da Folha). O estuprador não foi excomungado (pasmem!) e o enorme sofrimento da menina de 9 anos foi completamente desconsiderado pelo religioso.

Assim, vemos que a abordagem do sexo, do controle da natalidade, da procriação e do estupro por parte do Cristianismo reflete apenas um aspecto da influência perniciosa desta religião sobre os rumos do mundo. Outros aspectos negativos da sua forte influência sobre a sociedade serão abordados mais adiante, em um momento mais oportuno.

Enquanto isso, sugiro que façamos muito sexo regrado apenas por uma boa dose de consciência.

Abs:

Marcio

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Diploma de Idiota

Ao ter acesso à notícia da investigação do Minsitério Público Estadual contra a Igreja Universal do Reino de Deus, a qual denuncia o bispo Edir Macedo e mais 9 pessoas por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro eu não fiquei nada surpreso. Confesso que os número envolvidos (a Igreja movimenta R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil, dinheiro arrecadado por meio do pagamento de dízimo por seus milhares de fiéis espalhados por 4.500 templos, instalados em 1.500 cidades do País) me assustaram muito mas, o teor da notícia em si não foi novidade para mim, haja visto todo o histórico envolvendo Edir Macedo e sua Igreja. Todavia, ao ter acesso ao UOL Notícias, uma foto deixou-me realmente perplexo. Trata-se da fotografia de um “Diploma do Dizimista”, documento oferecido àqueles que se prestam a doar o famoso dízimo na Universal. Nunca soube nada sobre tal documento e, ao tomar consciência da barbaridade, não pude deixar de comentar.

O texto do “Diploma do Dizimista” é um trecho bíblico que se refere ao Deus Yaveh ou Jeová do antigo testamento. E para coroar o surrealismo do documento oficial da Igreja existe a patética “assinatura de Jesus” (pasmen!) ao lado da assinatura da vítima do engôdo... É isso mesmo! Um documento oficial assinado por Jesus! Aliás, assinatura por demais tosca, parecendo de uma criança de 8 anos em aula de caligrafia! Rs... Desculpem-me mas, em que pese aqui a característica totalmente caricata e risível do documento, eu gostatria de ressaltar seriamente alguns pontos. Para começar, o texto refere-se, como eu disse, a um trecho bíblico que não tem nada a ver com Jesus. Trata-se do tirano Deus Yaveh do velho testamento que não tem qualquer relação com aquilo que é pregado sobre o “Deus de Jesus”, o qual seria um “Deus de Amor”. Tanto é que no documento fala-se sobre “Senhor dos Exércitos”, termo mais do que esclarecedor sobre a natureza violenta e sanguinária do Deus do velho testamento. E depois, caracterizando aí o crime de falsidade ideológica, existe uma assinatura de Jesus para dar mais “credibilidade” ao texto que não tem nada a ver com o que Jesus supostamente teria pregado. Além disso, existe um outro detalhe surreal na assinatura, que é precedida pelo pronome de tratamento “Senhor”. Ora, vamos combinar que alguém que refere-se a si próprio numa assinatura como “Sr.” só pode ser considerado como uma pessoa muito metida à besta. Falando-se de Jesus então, a esperada humildade por parte daquele que é tido como “ícone ocidental da simplicidade” passou muito longe! Rs... só rindo mesmo.

Por último, é importante lembrar ainda que, se Jesus fosse de fato assinar alguma coisa, nunca seria “Jesus Cristo”, haja visto que seu nome original nunca foi esse. Esse nome foi resultado da criação de Saulo ou Paulo. O nome em Aramaico, língua nativa da época e local onde Jesus teria vivido, seria “Yehoshua” ou “Yeshua”. Bom, não é do meu interesse entrar a fundo no mérito da etimologia do nome, deixando isso para aqueles que tiverem um pouco de curiosidade pela História do Cristianismo. Quem estiver disposto, vai se surpreender com a capacidade humana de deturpar tudo ao longo do tempo. Mas eu sei que a esmagadora maioria das pessoas não fará pesquisa alguma. Afinal, pesquisar dá muito trabalho...

Em resumo, fica aqui a indignação contra essa Igreja Universal e sua capacidade de estragar as pessoas, levando os fiéis a acreditarem nas coisas mais estúpidas para obter lucro à qualquer custo (1,4 bilhão de reais por ano está bom, não está?). Se as pessoas chegam ao cúmulo de assinar um documento como esse, não seria de todo impossível que as mesmas passassem a matar em nome de Deus. Seria o resultado mais perplexo possível de uma poderosa lavagem cerebral, a qual leva o fiel a abdicar totalmente da sua intrasferível capacidade de pensar por conta própria.

E para aqueles que assinaram tal documento eu parabenizo pela honrada conquista de um Diploma de Idiota!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Brasil: Futuro País Teocrático?

Mais uma bomba do site de notícias G1: "Lei obrigará deputados da Paraíba a 'refletir' sobre a Bíblia antes das sessões". Agora sim! Nossos políticos finalmente tomarão vergonha na cara!

O deputado Nivaldo Manoel (PPS) acredita que “a palavra de Deus ajudará a melhorar os ânimos” dos colegas da Assembléia Legislativa da Paraíba para enfrentar os problemas no plenário. O deputado calcula que serão usados sete minutos de cada sessão para leitura e reflexão sobre a Bíblia - feitos por ele mesmo - assim que o projeto, aprovado por unanimidade, for publicado no “Diário Oficial” da Casa. Neste tempo, afirma, os deputados “permanecerão da forma que eles quiserem”, mas pedirá silêncio. Segue ainda dizendo: “Sou evangélico de uma igreja como a Assembleia de Deus, muito rígida, de mais titularidade à obediência da Bíblia. [...] Tenho essa vantagem e a coragem de fazer isso. E vou fazer em nome de Jesus essa reflexão pregando a palavra sem nenhum constrangimento, como se estivesse no púlpito de uma igreja”, afirma o deputado, que disse não ser pastor. Como se não bastasse a cegueira e fanatismo local, o deputado acredita que a reflexão poderia ser adotada também no Senado Federal, como forma de melhorar “a atitude dos parlamentares”.

Muito humilde, relevante e sensata a iniciativa do nobre candidato! Que postura mais prepotente, partindo-se do princípio de que sua visão deve ser aplicada a todos os seus colegas, sem o menor vestígio de suspeita de que seu paradigma é extremamente limitado e totalmente inútil no contexto do seu trabalho. É esse tipo de postura que nós queremos ver disseminada nas esferas públicas das instituições do nosso país? O que está realmente acontecendo?


Infelizmente, a cada nova notícia, são confirmadas aqui as minhas suspeitas ao longo dos meus posts de que estamos caminhando para uma Segunda Idade das Trevas. Um mundo muito mais religioso e, portanto, menos racional está surgindo com consequências imprevisíveis para a raça humana. Posts como "Segunda Idade das Trevas", "Atentado à Razão", "Liberdade!?!?!" e "Evangelização" resvalam, de uma forma ou de outra, nesta triste previsão e, embora eu tenha concentrado minhas críticas sobre as pistas desta tendência no Brasil, sabemos que trata-se de um fenômeno internacional.

Os domínios políticos do nosso país já se encontram abarrotados por representantes de instituições religiosas, na esmagadora maioria de natureza cristã, fazendo o seu nada religioso lobby com o intuito de aumentar o nível de poder de suas Igrejas. Mas isso ainda parece ser pouco para essas pessoas. Parece não haver limites para o ridículo nem tampouco bom senso para elas, com propostas absurdas como a que vimos acima que estão longe de trazer alguma contribuição real para os interesses da nossa sociedade. E ninguém faz absolutamente nada para deter a escalada do cristianismo pelos meandros das instituições públicas deste país. Pelo fato do tema envolver “religião”, concepção sobre a qual fomos treinados desde a mais tenra idade a “respeitar” por ser “algo sagrado”, os não-crentes acabam sendo coniventes com o crescente poder do cristianismo sobre o estado. Esse maldito "receio de dizer não" à influência religiosa é fruto de uma lavagem cerebral muito bem articulada desde nossa infância, e o Brasil, cada vez mais, vai perdendo suas características de país laico. Sinais disto podem ser observados na introdução do ensino religioso de forma tendenciosa e prática nas escolas públicas, nas autoriddes religiosas aparecendo cada vez mais em eventos públicos e na mídia de massa, nas orações coletivas em partidas de futebol televisionadas, no crescente debate sobre a censura da Internet nos períodos de eleição e, a esta altura, não é difícil uma lei absurda como a que vimos acima chegar a ser aprovada na esfera do Senado Federal, com consequências assombrosas nas tomadas de decisão mais importantes para a nossa sociedade.

Um estado religioso é por definição um estado tendencioso e irracional. O Regime Teocrático é um sistema de governo no qual a máxima autoridade política é exercida por pessoas que se consideram representantes de Deus na Terra. Nas Teocracias, o governante tem ao mesmo tempo o poder político e religioso e, pelo fato de se achar legítimo representante da vontade de Deus (sendo isso, obviamente, uma premissa monstruosamente questionável por razões que eu nem citarei aqui por falta de espaço) o país sob tal comando fica a mercê da total arbitrariedade religiosa de um pessoa ou de um grupo restrito de pessoas. Mas isso está longe de acontecer aqui no Brasil, certo? Essa é justamente a minha esperança pois, deixar de ser um país laico (condição oficialmente respaldada pela constituição) para, mesmo que muito improvavelmente, virar um Estado Teocrático só vai agravar muito a nossa já difícil situação.

Sei que muitos irão dizer que estou sendo demasiadamente exagerado em meus alertas e espero honestamente que eu esteja redondamente enganado. Mas não posso deixar de ser uma voz de alerta, mesmo correndo o risco de ser exagerado e repetitivo, naquilo que parece ser uma multidão silenciosa de conivência ou talvez até covardia perante os avanços da religiosidade em todas as esferas da nossa sociedade. A crescente necessidade de manifestação pública, o ímpeto de se levantar uma bandeira, a escalada da evangelização via mídia de massa, a proliferação de Igrejas com públicos-alvo bem definidos e agora a "exportação de Igrejas" para outros países (vide o caso surreal da esposa do Kaká no
site de notícias do BOL) são sinais de um avanço cada vez mais ousado, meticuloso e perigosamente ambicioso do cristianismo em suas mais diferentes formas.

Abs:
Marcio