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domingo, 14 de novembro de 2010

Definição de Cristianismo

Pode soar estranho uma justificativa antes do post propriamente dito mas, devido ao momento em que vivemos, infelizmente, faz-se necessário um preâmbulo com o intuito de estimular a leitura deste blog ao invés de gerar repulsa. Consciente de que um alto nível de repulsa será sempre inevitável por eu escrever aquilo que penso, tento minimizar a gravidade do impacto o máximo que eu posso. Em um mundo cada vez mais religioso, não é minha intenção chocar as pessoas e sim estimular o pensamento ou gerar a reflexão. Somente isso.

Complementando o post anterior (“Campanha OUT!”), reforço a idéia de que não me considero um ateu propriamente dito mas acho muito salutar o exercício de pararmos por um momento para pensar de uma forma diferente. Mesmo que não sejamos ateus, é de extrema importância dar vazão e espaço para que ateus, céticos e agnósticos manifestem suas idéias com o intuito de promover uma sociedade muito mais equilibrada, democrática e justa, fazendo o contraponto para a mesmice promovida pela disseminação homogênea do pensamento religioso. Uma reação automática de repulsa diante de um pensamento diferente do nosso é um sintoma de que temos, em maior ou menor grau, uma doença extremamente grave chamada fanatismo.

Feita a ressalva inicial, divulgo um texto que eu vi no site “Café Press”, na sessão de camisetas com dizeres ateístas. Em uma das camisetas, li uma extraordinária definição de Cristianismo. A despeito das esperadas justificativas em favor de um “sentido metafórico”, lugar-comum no seio daqueles que julgam ser “religiosos mais intelectuais”, peço o esforço para lerem a definição sem o pesado fardo das premissas que todos nós carregamos. Mais uma vez, vale muito a pena parar por um instante e pensar a respeito, por mais que o exercício cause dor em nossa alma. Eis a definição:

Cristianismo: a crença de que um zumbi judeu cósmico, o qual era pai de si mesmo, pode fazer você viver para sempre se você, simbolicamente, comer sua carne e dizer que aceita-o telepaticamente como seu mestre, de forma que ela possa remover a força maléfica da sua alma que está presente na humanidade como um todo por causa de um mulher nascida de uma costela, a qual foi convencida a comer um fruto proibido de uma árvore mágica pela astúcia de uma cobra falante.

Faz todo o sentido do mundo.

Abs,

Marcio

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Para Quem Acredita (parte 3)

Finalizando a série de posts “Para Quem” (recomendo a leitura dos últimos 3 posts pois estão todos interligados), nem tudo são flores neste mundo de experiências insólitas daqueles que buscam trilhar o tortuoso caminho do conhecimento. A busca por respostas passa necessariamente por muitos desafios, os quais nem sempre são superados pela gente. E é sobre isso que eu falarei agora.

No post anterior eu fiz uma breve introdução à Missão Rama do Brasil e, apesar dos elogios que fiz e sempre faço à experiência pela qual eu passei, não posso deixar de levantar críticas ao processo. Para quem leu os posts anteriores eu peço licença agora para escrever a respeito de algo que, apesar de ser muito particular de quem participou da Missão Rama, é um problema para todos nós em maior ou menor grau: não assumir nossos inúmeros erros. A Missão Rama do Brasil sofreu com vários erros humanos e seria uma traição absurdamente grande ao próprio discurso original ignorar por completo tais erros. Por isso, passo agora para o questionamento, ferramenta que integrava a espinha dorsal do projeto, para falar de alguns aspectos equivocados que, até hoje, representam a linha de pensamento de muitos ex-integrantes.

A descrição da Missão Rama, seja por escrito ou no discurso falado, sempre foi muito ousada e desafiadora e, por isso mesmo, me atraiu logo de cara. No final do livro “OS Semeadores de Vida”, existem dois trechos que descrevem de uma forma bem resumida o objetivo do trabalho, os quais eu transcrevo em seguida:

“O Projeto Rama não é dono de nenhuma verdade, de nada que seja definitivo. O que temos a mostrar é o que agora nos parece mais coerente e mais prático, sendo que amanhã poderá ser substituído por uma nova descoberta, por uma outra conclusão ou até por uma nova proposta. Nós não temos nada determinado ou determinante, a não ser o objetivo de errar menos. Nós não temos verdades, apenas perguntas objetivando respostas. Não temos líderes, apenas seres humanos irmandados na construção e realização de um futuro.”

“O Projeto Rama é um movimento sem qualquer vínculo econômico, não existindo circulação de dinheiro em hipótese alguma. Existimos como uma proposta que visa estruturar uma base para o trabalho de reformulação, tanto de parâmetros como de referências e critérios de análise. Questionar os processos convencionais de aprendizagem, assim como os valores convencionalizados. Procuramos refletir sobre as relações culturais que determinam as convenções, para poder evidenciar as falhas que ocorrem no processo formativo psicológico e social do indivíduo, e descobrir o que verdadeiramente existe por detrás do universo material. Buscamos ter acesso aos mistérios da vida e da morte, sem ter, para isso, qualquer compromisso doutrinário. Nossa descoberta é própria e livre, pois não existe para provar se somos melhores, apenas para saber e identificar em que direção nos devemos mover.”

E é partindo dessas descrições que eu questiono agora os próprios mitos e dogmas da Missão Rama. São chavões e linhas de raciocínio que foram criados e sedimentados como verdades ao longo do tempo, indo contra os princípios da própria proposta original. E é por isso que este texto finaliza a série “Para Quem”. Espero que fique claro para quem leu os 3 posts anteriores o quão ingênuas são certas premissas que ainda “pairam no ar” ao redor da cabeça de alguns ex-integrantes do Projeto.

Não pretendo ser completo aqui nestes questionamentos. Cada ponto levantado pode ser esmiuçado de inúmeras formas, existindo ainda outros mitos e senões, os quais eu não exploro por simples falta de tempo e espaço nestes posts cada vez mais longos... Mas vamos à alguns questionamentos mais imediatos na minha mente:

1) NÃO ENTREI NO PROJETO PARA VER NAVE.

Por trás deste argumento, existe uma premissa de que, em primeiro lugar, ver OVNIs seria uma coisa para pessoas baixas, ignorantes, materialistas, preocupadas com fenômenos mas não com o “desenvolvimento humano”. Pessoas que “só estão a fim de bagunça”, ou seja, “arruaceiros” e outras tolices. Quem diz isso geralmente acha-se mais “evoluído” ou “comprometido” que os demais, e coloca sua “busca espiritual” acima de “coisas sem importância”.

Este tipo de raciocínio foi e ainda é bastante comum não só entre os integrantes da falecida Missão Rama mas também na tal da “ufologia mística”. E o pior é que, quem se manifesta desta maneira, realmente não entendeu nada sobre o impacto e/ou grandeza envolvidos em um suposto contato físico. Partindo do princípio (muito benevolente de minha parte, eu confesso) que este tipo de evento é algo extremamente raro (para entender a alegação sobre a extrema raridade de contatos, vide o post “Para Quem Acredita (parte 1)”), nós não temos noção do quão arrebatador, revolucionário e transformador um fenômeno físico autêntico seria. Pensar que, dentro de uma sociedade cuja absoluta maioria das pessoas desconsidera por completo essa possibilidade, um evento físico seria algo irrelevante ou secundário é um raciocínio muito simplista de gente que acha que já aprendeu o suficiente, “conhece” ou “sabe” além da média humana. Falácia pura, traiçoeira e imensamente perigosa. Um eventual contato físico com uma civilização alienígena representaria um evento sem paralelo em nossa sociedade, uma oportunidade única e avassaladora de possuirmos uma referência externa ao nosso próprio planeta, trazendo uma avalanche de questionamentos e indagações que colocariam em xeque os próprios alicerces da nossa civilização como um todo (inclusive as concepções tidas como “avançadas” nas cabeças das pessoas sob influência da visão mística-esotérica). Um evento importantíssimo, acima da capacidade de valorização deste tipo de pessoa, a qual precisaria aprender sobre o quão incrível e bombástico um eventual contato seria para ser capaz de valorizá-lo de forma suficientemente séria. Um acontecimento que representaria um novo paradigma, um novo estilo de vida em nossa sociedade, acima dos paradigmas religiosos, esotéricos, ufológicos e outras "avançadas diferenciações". E é lógico: deduzir que os ETs pensam conforme eu penso, diferentemente da média geral de seres humanos (partindo do princípio que eu fosse partidário deste tipo de raciocínio) seria algo muito conveniente para o meu ego, já que o menosprezo por uma eventual fenomenologia física caracteriza que a pessoa já passou "dessa fase" na qual qualquer réles mortal estaria.

Enfim, quem diz que “contato físico não interessa” é porque ainda não aprendeu a fazer perguntas, justamente por achar que já possui respostas em demasia. Então, nunca se dará o trabalho de se questionar ao ponto de ser obrigado a perguntar o básico novamente. Esta pessoa está em “um outro nível”. Com esse tipo de pessoa, eu não tenho o que trocar.

2) CONTATO É ENDOSSO DE TRABALHO.

Outra falácia própria do discurso de Carlos Roberto Paz Wells, o qual sempre baseou seu trabalho, pelo menos no início, nas saídas a campo com comprovação física. Não questiono este tipo de raciocínio no início da Missão Rama mas depois de anos e anos de trabalho é notório observar que isso virou um dogma de fé. Se considerármos que apenas uma minúscula parte dos relatos de fenomenologia física é verdade (e olha que existem inúmeros relatos), mesmo assim, as condições e perfil dos “contatados” é tão diversa que seria impossível determinar um “padrão humano para o contato”, já que se um “contatado” está mantralizando e outro tomando cachaça (exagerei no exemplo apenas para ficar claro o que eu estou querendo demonstrar) não há padrão a ser seguido. Isso não existe, a não ser que houvesse um jogo no qual as “boas ações” seriam recompensadas e as “más ações” seriam punidas, sendo nós, obviamente, as cobaias dessa história. Do contrário, não dá para estabelecer um nível de entendimento e/ou comportamento humano para que o contato “ocorra como prêmio”. Trocando em miúdos, partindo do pressuposto de que alguns contatos sejam reais, isso dependeria completamente dos alienígenas, e achar que contato é “endosso de trabalho bem-feito”, como era comum de se achar na Missão Rama, é enxergar a riqueza da fenomenologia de uma forma muito linear e conveniente para nós, seres humanos. Os objetivos (nossos e os deles) não teriam que ser necessariamente casados para um encontro ocorrer. No final das contas, sempre dependerá 100% dos alienígenas, quer a gente goste disso ou não.

3) A "ELASTICIDADE" DAS COMPROVAÇÕES

A comprovação física, clara e concreta dos contatos sempre foi muito enfatizada no Projeto. Nada menos do que isso seria reconhecido. Todavia, foi incrível o quanto isso foi sendo "esticado com o tempo", fazendo com que outras coisas mais questionáveis e menos palpáveis acabassem entrando no hall de "comprovações", para nossa boa e velha conveniência, é claro. Desta maneira, eventos mais sutis e questionáveis começaram a fazer parte daquilo que muitos consideraram como "comprovações", transformando a necessária rigidez inicial, "certificado da nossa sanidade mental", em uma condescendência muito generosa. Se bem que tal fenômeno sempre partiu muito mais dos integrantes do que dos instrutores (participantes mais experientes), a falta de comprovação nos moldes iniciais fez com que alguns forçassem a barra ao incluir coisas absurdas na lista de "comprovações físicas".

4) QUEM SAI DO PROJETO É PORQUE NÃO ENTENDEU A PROPOSTA.

Se bem que isso pode ter sido verdade muitas vezes, não foi necessariamente a regra. É fácil concluir que a pessoa que está desistindo do trabalho não entendeu absolutamente nada. Pensar que “o que levaria alguém que entendeu a proposta a sair da própria proposta?” seria o mesmo que admitir que nem tudo são flores ou que a maneira como a “proposta” está sendo conduzida está deixando a desejar. E admitir nossos próprios erros é uma coisa que não gostamos de fazer, seja individualmente ou em grupo.

5) ET É ANJO, GUARDIÃO, MESTRE OU GUIA ESPIRITUAL.

Este é o sintoma mais típico de religião. Foi um problema forte e continua forte até hoje na cabeça de alguns ex-integrantes. A idéia de que os supostos alienígenas zelam pelos seres humanos, se preocupam com nossos interesses ou até mesmo nos protegem “espiritualmente” é um princípio completamente religioso. Esses alienígenas não teriam mais o que fazer no universo? Seríamos assim tão especiais? É muita pretensão da nossa parte achar que eles se envolveriam com nossos problemas cotidianos, intervindo em nossa vida para resolver questões ordinárias, as quais só cabem a nós mesmos resolver. Tais quais as linhas evangélicas apregoam a respeito da influência de Deus nas questões mais idiotas da nossa vida, há aqueles que aplicam os mesmos princípios em suas visões particulares de como seriam os alienígenas: bonzinhos, meigos, angelicais, zelosos e de fala rebuscada (é só ler algumas das supostas mensagens de ETs que existem aos montes por aí na Inernet). Considerando ainda o tema explorado no post “Para Quem Acredita (parte 2)", o qual menciona o absurdo nível de distanciamento entre nós e os eventuais ETs através da analogia das formigas, fica escancaradamente humano pensar que eles falam, pensam ou possuem valores semelhantes e convergentes com os nossos. Essas pessoas, em outras palavras, não cresceram como seres humanos, não se emanciparam, pois necessitam desesperadamente de um “pai” ou “mãe” espiritual para serem responsáveis por eles, posto que assumir que estamos por nossa própria conta e risco seria muito doloroso. Continuam em uma infância expandida, alimentando sonhos de criança ao invés de amadurecerem e assumirem a responsabilidade de suas próprias vidas. Por ser o aspecto mais religioso é o mais perigoso, visto que coloca as pessoas em uma zona de conforto difícil de ser quebrada. Quem quer sair do ventre materno, quentinho, confortável, com comida à vontade e sob total proteção da mamãe? Pois é, seria justamente esse o tamanho do problema...

6) SÓ EU TENHO A VISÃO DO TODO.

Reconheço que existem pessoas com mais experiência e/ou conhecimento do que eu. Claro. Imaginar que eu sou o suprasumo do conhecimento humano seria algo muito deprimente para mim. Todavia, aceitar que fulano está no nível X,Y,Z de consciência e eu, réles mortal, devo aceitar tudo o que ele diz sem questionar, sob o pretexto de que isso seria “respeito” eu não tolero de forma alguma. Esse é outro sintoma típico de religião, constituindo a hierarquização dentro das organizações humanas, fenômenos tão comum e ao mesmo tempo tão nefasto para o nosso desenvolvimento. E o mais inusitado a respeito disso é o fato de eu ter descoberto que não só existem pessoas deseperadas para serem líderes como, em um maior número, existem aqueles desesperados para serem liderados. É impressioante como dentro da Missão Rama esse perfil foi aos poucos aparecendo e crescendo exponencialmente com o tempo, com pessoas sedentas por um líder, um guru, um ET ou qualquer outra “forma superior” que pudesse configurar uma relação hierárquica. Gente querendo ser guiada, orientada, enfim, querendo que alguém dissesse o que elas teriam que fazer. Essa sempre foi uma tendência contra o próprio discurso original, o qual apregoava o crescimento em conjunto, a quebra de hierarquias, o aprendizado não-linear e a ausência de líderes. Mas aprender a ser “intelectualemte independente” não é uma tarefa nada fácil e muito menos óbvia. Na esmagadora maioria das vezes, temos certeza de que somos livres mas dependemos das idéias e discursos alheios para sobreviver. Ter um discurso próprio é um comportamento para poucos nesta vida. E nisso a Missão Rama pecou em deixar de desenvolver nas pessoas, embora eu reconheça que somente o tempo e a maturidade façam as pessoas agirem de uma forma diferente.

Por outro lado, a figura do Carlos Roberto Paz Wells acabou intensificando este tipo de postura algumas vezes, promovendo a hieraquização por mais que seu discurso dissesse o contrário. E quando questionado sobre este tipo de postura, algumas vezes, mostrou-se tão ortodoxo quanto os líderes religiosos ao serem questionados: agindo com destemperamento e refletindo insegurança. Centralização de “poder” (no caso, especificamente, onde se lê “poder” entenda como “conhecimento”) e estruturação hierárquica só intensificam a ignorância e a segregação, fomentando relações verticais baseadas no “cala-a-boca”. O questionamento sempre fez parte da espinha dorsal da Missão Rama e a partir do momento em que o mesmo é “visto com maus olhos”, isto significa que tudo deve parar para ser imediatamente revisto, atitude que infelizmente não ocorreu.

Mas não podemos generalizar. Tanto líderes quanto liderados erraram em maior ou menor grau e dizer que um lado errou mais do que o outro seria muito simplista da minha parte. O Projeto como um todo, sim, perdeu e muito.

Apesar destas dentre outras críticas que eu ainda teria a fazer, a Missão Rama do Brasil foi a proposta que eu conheci cujos integrantes foram mais longe em fomentar a revisão, o questionamento, o aprofundamento, a mudança, o conhecimento e o desenvolvimento real das pessoas. Nunca vi nada igual em qualquer outro grupo ou proposta de desenvolvimento. Nada nem parecido. Por isso, reconheço humildemente que os pontos positivos superaram os pontos negativos do Projeto. Mas a estrutura organizacional infelizmente acabou, talvez em parte por causa dos efeitos dos erros citados anteriormente. Assim, espero que este humilde texto possa servir de inspiração inicial para que outros ex-integrantes espalhados por aí possam se manifestar e, juntos, possamos fazer jus a algo ainda tão ousado e avançado para os padrões atuais da nossa sociedade.


Abs,

Marcio

sábado, 17 de julho de 2010

Para Quem Acredita (parte 1)

No post anterior eu abordei a questão da mudança de cenário no que se refere à ciência oficial aceitar a possibilidade de não estarmos sós no universo, seja na condição de formas de vida bacteriana, formas mais complexas ou até mesmo civilizações extraterrestres. Todavia, existe um grande grupo de pessoas que não somente leva essa possibilidade facilmente em consideração há bastante tempo, como está convicto de que estamos sendo visitados por ETs, que é possível estabelecer contato com tais entidades, saber quais seriam seus objetivos e ainda cultivar um ar de superioridade pelo posicionamento "tão cético e primitivo" da ciência oficial em relação ao assunto. Se você se identifica com esse perfil, este post foi escrito especialmente para você.

Antes da “fenomenologia ufológica”, existe o que eu chamaria de “fenomenologia humana”, questão sobre a qual ninguém menciona nada, sendo a mesma fundamental no entendimento do universo ufológico. Dentro dos meios esotéricos bem como na ufologia assim chamada de “mísitica” (classificação, aliás, que eu acho estúpida), encontramos muitas informações que falam abertamente sobre frotas de naves extraterrestres (de acordo com os seguidores de Ashtar Sheran, suposto comandante extraterrestre, este seria responsável por uma frota de 15 milhões de naves!), inúmeros seres desta e de outras dimensões, constante monitoramento e profundo interesse por parte dos ETs pela raça humana. Além disso, “parcerias” entre o governo americano e os chamados “greys”, “parcerias” entre a Fraternidade Branca e os ETs de “dimensões mais elevadas”, “intraterrenos” e até “ultraterrestres” (o que seria isto afinal?) borbulham em livros, palestras, vivências e vigílias de grupos mistico-esotéricos. Existe uma farta literatura por aí especulando não somente sobre as origens mas também sobre as intenções e atividade de diversas civilizações, sejam elas físicas ou extrafísicas, todas elas com suas atenções voltadas para o planeta Terra. A Internet mesmo é um vasto meio de proliferação dessas idéias e explicações sobre o que seriam e quais seriam as intenções dessas entidades extraterrestres abundam sem controle algum. Se fosse possível catalogar todo material diponível sobre essas crenças, ficaríamos surpresos com a absurda quantidade de seres extraterrestres das mais variadas procedências e condições diferenciadas de existência que é apregoada por aí, sendo que, na somatória, todos teriam interesse nos rumos da raça humana e do planeta Terra.

Mas será que é isso mesmo? No post “Ufologia Dissecada” eu abordo um tema que questiona o seguinte: se toda a fenomenologia dita “ufológica” for levada em consideração, o planeta Terra só pode ser considerado o lugar mais interessante do universo. Seria a Terra, portanto, um lugar muito especial? Vamos ver...

Do ponto de vista do vídeo Pálido Ponto Azul, o qual faz parte do post de apresentação deste blog, a Terra não é nenhum lugar especial. Situados na periferia da Via Láctea contornando uma estrela que está muito longe de ser a maior da galáxia, somos um minúsculo grão de areia em uma praia descomunal. É comum na literatura esotérica o chamamento de atenção para o perigo da raça humana terminar em um grande conflito nuclear, e que a destruição da Terra, através de uma guerra com arsenal atômico, causaria danos às civilizações extraterrestres. Nisto residiria o fato de algumas civilizações extraterrestres estarem monitorando as atividades humanas, com o intuito de evitar uma eventual catástrofe. Este tipo de argumento, embora comum, não passa de um mito pois existem explosões de magnitude infinitamente maior em estrelas gigantes se comparadas com o nosso Sol (de 50 a 100 vezes o tamanho da nossa estrela!), as quais ocorrem o tempo todo no universo. Até onde sabemos, nenhuma delas está sequer perto de afetar minimamente o equilíbrio do universo. Portanto, a pergunta que parece óbvia é a seguinte: porque uma eventual explosão de um planetinha tão diminuto quanto a Terra poderia ter qualquer importância para uma civilização extraterrestre?

Ao assistir um vídeo sobre o documentário do Discovery Channel intitulado “Alien Planet”, eu observei o físico Michio Kaku abordar esta questão com muita lucidez e humildade. Segundo o físico, é possível que haja civilizações extraterrestres muito mais avançadas em nosso universo mas, para a tristeza de muitos humanos, seu interesse por nós seria muito questionável. Ele utilizou uma analogia para exemplificar nossas diferenças, representadas pela distância entre nós e as formigas, supondo que nós, terráqueos, fossemos as formigas e os ETs fossem os humanos. Em nosso hipotético exemplo, foi contruída uma rodovia ao lado de um formigueiro. Do ponto de vista da formiga, há qualquer consciência sobre a existência de uma rodovia, carros e, obviamente, seres humanos dentro desses carros? Existe qualquer interesse por parte da colônia de formigas em detectar seres humanos? Existiria tecnologia na colônia de formigas capaz de detectar a presença de seres humanos e depois estabelecer qualquer forma de contato com eles? E do ponto de vista humano: existe qualquer interesse nas formigas ao lado da rodovia? Estaríamos interessados nelas ou passaríamos por cima das mesmas sem nem perceber que elas estão em nosso caminho? Ou pior: justamente por percebê-las é que teríamos o desejo de eliminá-las?

Não quero ser estraga prazeres do exército de crédulos, insinuando que de toda a fenomenologia ufológica apresentada, nada se salva ao ponto de não sobrar nenhuma possibilidade de estarmos sendo visitados por alienígenas. Se nós já enviamos sondas espaciais e missões robóticas para outros planetas com uma certa frequência e sucesso, imagino que civilizações muito mais antigas possam fazer o mesmo com muito mais competência. Destas maneira, não posso descartar essa possibilidade. Todavia, há de se frisar que tal possibilidade deveria ser em uma proporção imensamente menor ao que é apregoado por aí pelos ufólogos, não importa a linha de interpretação (científicos ou místicos pela estúpida classificação). E com relação aos objetivos das poucas visitas que talvez pudessem ser consideradas, suponho que estas não deveriam ter necessariamente qualquer vínculo com os interesses dos seres humanos. Do ponto de vista alienígena, é possível que estivessem interessados em suas próprias pesquisas, as quais poderiam até envolver seres humanos, mas não pelos motivos que gostaríamos que fossem. Por mais duro que isso possa parecer, a verdade não tem necessariamente qualquer ligação com os nossos desejos, carências, aspirações e megalomanias enebriantes.

Se por um lado, há muitas coisas para além das quais nossa ciência ainda é incapaz de trazer respostas satisfatórias, por outro, existe uma imensa infinidade de crenças, sejam elas místicas, esotéricas, religiosas ou ufológicas que, justamente por serem apenas crenças, só desinformam e desorientam ao invés de trazer o tão almejado conhecimento para a gente. E tais crenças, infelizmente, ocupam a maior parte do material escrito e divulgado em livros, palestras, vídeos, encontros, vivências em grupo e outras manifestações populares. Desta maneira, creio que o nosso papel é o de sermos garimpeiros criteriosos, selecionando muito bem o que lemos, vemos e ouvimos de outros e trabalhando arduamente na "construção do nosso próprio conhecimento", sem deixar-nos influenciar pelo religioso V, pelo guru X, pelo movimento Y ou pelo ufólogo Z.

A comparação é sempre uma ferramente muito válida e, ao observar as pessoas à minha volta, pude notar o pouco conhecimento histórico que possuímos. Não se trata apenas de uma ignorância generalizada sobre História Antiga mas também uma falta de conhecimento sobre nossa história recente, fator ainda mais pertubador na minha opinião. Por exemplo: a Internet é parte integrante de nossas vidas, utilizamos a grande rede todos os dias e é impressionante o quanto que nós desconhemos sobre os inúmeros esforços, descobertas e conquistas em diferentes campos do conhecimento humano que tiveram que ocorrer para viabilizar o uso da Internet da forma como nós a conhecemos hoje. Nós apenas sentamos na frente do computador e utilizamos a grande rede, sem fazer idéia do quanto isso é revolucionário. Peguem qualquer artigo sobre a história da tecnologia e vocês terão uma idéia do que estou tentando transmitir. Em outras palavras, 50 anos de história já parecem ser coisa demais para nossas humildes cabecinhas, preocupadas que elas estão com os problemas diários e a sobrevivência quase sempre com muito sacrifício. Agora, imaginem uma civilização não com 100 ou 200 anos de desenvolvimento a nossa frente mas sim uns 100.000, 200.000 ou até mesmo 1 milhão de anos à nossa frente. Somos péssimos para lidar com números, então, cito os 6.000 anos de civilização humana só para pôr essa questão em uma perspectiva mais realista. Um milhão de anos seria absurdamente mais do que toda a história da civilização humana reunida, a qual a maioria de nós desconhece em maior ou menor grau. Qual seria então a história de uma civilização com 1 milhão de anos? Que processos, dificuldades e privações tiveram que enfrentar? Qual seria o real tamanho de suas conquistas civilizatórias? O que descobriram, inventaram e superaram ao longo de tanto tempo? Qual seria a visão de mundo e de vida desses seres? Qual seria o poder dessas civilizações? Se foram necessários 6.000 anos de civilização para chegarmos ao ponto de tentar descobrir se existem planetas como o nosso nas imediações da nossa galáxia (vide as informações sobre a Missão Kepler no post "Para Quem Não Acredita"), qual seria o tempo de existência e o poder correspondente de uma civilização capaz de deslocar-se por distâncias tão absurdas, as quais nós ainda nem vencemos com o alcance do olhar dos nossos mais avançados telescópios!?!?!

Uma especulação que eu gosto de fazer, baseado nas hipóteses sobre o tempo de existência das civilizações mais avançadas (novamente a escala Kardashev), e em conformidade com o nome deste blog, é tentar perceber as coisas sob o ponto de vista de uma hipotética civilização extraterrestre. Explico: se nós, terráqueos, tivéssemos a oportunidade de estudar um planeta distante com uma população de macacos alienígenas, de que forma agiríamos? Supondo que eu fosse algo parecido com um biólogo ou psicólogo behaviorista, talvez eu quisesse observar de perto o comportamento desses macacos sob 2 perspectivas diferentes: observando-os em suas condições naturais, sem qualquer tipo de intervenção, ou aplicando-lhes diferentes estímulos. E entendam estímulos aqui como um "contato" da nossa parte. Sim, imaginem um suposto contato alienígena como um estímulo e/ou intervenção, com o objetivo de efetuar alguma espécie de análise ou estudo. E apesar do argumento sempre presente de que "os ETs respeitam nosso livre-arbítrio" (idéia comum nos meios ufológicos), é preciso lembrar que intervimos sempre no reino animal com nossas próprias pesquisas, mesmo que estejamos apenas filmando um macaco à distância no meio da selva para produzir um documentário. Do ponto de vista do macaco, poderíamos parecer "alienígenas" com uma avançada tecnologia de monitoramento.

E já posso ouvir aquele velho argumento dentro da minha mente por parte dos crédulos: "mas será que eles não fizeram pesquisas o suficiente neste planeta com a gente? Não posso aceitar tal hipótese." Quanto a isso, eu diria o seguinte: em primeiro lugar, não temos moral para ser contra supostas pesquisas alienígenas, uma vez que nós mesmos fazemos isso o tempo todo, seja com seres humanos ou com animais. Em segundo lugar, partindo do pressuposto de que somos visitados por entidades alienígenas, não temos condições de saber se foram feitas muitas pesquisas ou não (não temos acesso ao banco de dados alienígena para saber há quanto tempo isso estaria sendo feito). Em terceiro lugar, existe uma premissa muito errada de que o conhecimento é finito e, a partir de certo momento, qualquer estudo ou análise deixam de ser necessários porque partimos do princípio que "já aprendemos tudo sobre determinado assunto". Falácia inocente da nossa mente. Se assim o fosse, estaríamos plenamente satisfeitos com as explicações sobre nossa origem e vida que são encontradas às pencas na Bíblia. Além disso, nossa tecnologia se desenvolve exponencialmente a cada dia, revelando-nos aspectos da vida que até então eram completamente desconsiderados. Portanto, voltemos à experiência com os macacos alienígenas.

Se a hipótese de que estamos sendo visitados for correta, não seria nem um pouco insensato pensar que pareceríamos fósseis vivos para tais civilizações. Lembrem-se do exemplo das formigas e vocês entenderão onde quero chegar com isso. Utilizando mais uma vez a comparação, não seríamos mais do que macacos superdesenvolvidos para tais seres, com comportamento agressivo, temperamento altamente emotivo, limitação mental, baixa expectativa de vida, desorganizados socialmente, predominantemente supersticiosos e com um estilo de vida inegavelmente suicida. Como no exemplo das formigas, o distanciamento entre nós e eles seria tão incomensuravelmente grande que inviabilizaria qualquer conversa ou outra forma de comunicação. Não acredito que a comunicação em si seria o problema e sim a ausência de referências, de padrões de comparação viáveis ao nosso entendimento. Ou se por um acaso eles tomassem a iniciativa de um contato, com um suposto "conhecimento do nosso nível de entendimento", nossa capacidade de distorção, devido às nossas limitações, estragaria qualquer tipo de diálogo.

Isso trás à tona uma outra questão muito polêmica para os crédulos: a crença de que algumas pessoas estariam recebendo mensagens dos extraterrestres por vias telepáticas. Em conformidade com o parágrafo anterior, fica muito difícil aceitar o conteúdo dessas supostas mensagens, as quais parecem proliferar como uma doença nos meios místico-esotéricos. Mensagens com conteúdo previsível, visivelmente influenciadas pelo contexto humano e com uma forte carga de influência messiânica-religiosa. Como poderia, por exemplo, uma civilização extraterrestre sabe-se lá quanto tempo mais avançada que a nossa entrar em contato conosco para endossar nossas crenças, reforçar nossas superstições, ressaltar nosso ego e causar ainda mais ignorância ao "dizerem que devemos seguir nossos mestres terráqueos"? Se seguir tais ensinamentos fosse a resposta para nossos problemas, há muito nosso planeta teria se transfomado em um lugar melhor para se viver. Levando-se em conta o distanciamento ressaltado pela analogia da formiga, fica extremamente óbvio que as pessoas estão, mesmo incoscientemente, criando essas mensagens dentro das suas próprias cabeças do início ao fim. Não há, na esmagadora maioria dos casos, qualquer evidência de um eventual contato alienígena, por mais que as pessoas estejam afetadas emocionalmente pela "experiência". Mesmo se houvesse uma possibilidade de contato real por vias telepáticas, a mensagem resultante teria enormes chances de ser distorcida pela nossa mente, comprometendo seriamente o conteúdo original.

Desta maneira, termino este post da mesma forma que terminei o post "Para Quem Não Acredita". Longe de querer encerrar a questão abordada, ficará a critério do leitor chegar às suas próprias conclusões, as quais serão inevitavelmente temporárias. Explorando o outro lado da balança, do ponto de vista de quem acredita nos discos voadores, deixo aqui o meu profundo alerta sobre um assunto que há muito virou um dogma de fé. Na verdade, este post terá uma sequência onde tratarei melhor deste ponto, ficando aqui apenas uma reflexão: apesar do aparente pessimismo em relação a espécie humana, eu acredito sim em um futuro melhor. Mas acredito que o mesmo só será realizável, quando a gente descer do nosso enorme pedestal e encarar humildemente a nossa condição de completa ignorância.

Abs,

Marcio

sexta-feira, 12 de março de 2010

Quero Ter Uma Igreja

Recebi a matéria abaixo de um amigo meu e segue o link para acesso direto ao site UOL da Folha de São Paulo.

Fiquei estarrecido com a facilidade para se criar uma Igreja no Brasil, “santa decisão” que acaba por abençoar os fundadores das recém-criadas instituições com isenções fiscais e outras regalias. Além disso, a ausência de fiscalização do Estado sobre o movimento das contas das Igrejas possibilita toda a sorte de contravenções, haja visto, só para citar um exemplo, o conteúdo do post "Diploma de Idiota" onde eu comento sobre a denúncia contra o bispo Edir Macedo e mais 9 pessoas por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. São por essas razões que vemos uma proliferação de Igrejas, principalmente as de caráter evangélico, as quais enriquecem descaradamente às custas da ignorância de um povo cada vez mais sem cultura, sentenciados pela política “lulística” do bolsa-família e pela educação de baixíssima qualidade. E quanto mais ignorantes forem os fiéis, melhor para os interesses desses “nobres senhores engravatados”, os quais figuram como “salvadores” entre os sangue-sugas da sociedade brasileira. Mantendo os seguidores subservientes como um rebanho de cordeiros, tal qual apregoam ironicamente as suas próprias parábolas, até o direito ao ensino religioso nas escolas públicas esses bispos possuem, conforme é lamentavelmente passível de ser verificado no final da matéria. Mas acho que o texto fala por si só.

Segue então o referido texto, o qual inspira-me a fundar minha própria instituição religiosa, “Igreja da Sagrada Opulência As Custas da Abençoada Ignorância Alheia”:

"Bastam R$ 418 para criar igreja e se livrar de imposto

Após fundar igreja, reportagem da Folha abre conta bancária e faz aplicação isenta de IR.
Além de vantagens fiscais, ministros religiosos têm direito a prisão especial e estão dispensados de prestar serviço militar.

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.

Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: "São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento".

A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.

A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como "supremo governador" o monarca britânico.

Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.
Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários "Is" que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.

O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.

Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.

A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).

Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.

Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.

Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.

Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.

O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma Sociedade de Certezas

Quem nunca foi vítima de um “auto-embuste” ao dizer para alguém que tinha certeza de algo e depois descobrir que estava redondamente enganado a respeito do assunto? Pode ser que uns mais e outros menos mas, de uma forma ou de outra, todo mundo já foi obrigado a encarar suas próprias pisadas de bola e reconhecer, mesmo que apenas internamente, que estava completamente equivocado em relação à alguma coisa. Alguns vão dizer que esse problema ocorre frequentemente, outros vão dizer que talvez estejam 50% do tempo certos e 50% do tempo errados mas, certamente, muitas são as pessoas que acreditam estar quase o tempo todo certas. E são justamente essas as pessoas que mais fazem estragos a si próprias e ao mundo ao seu redor.

Vivemos em uma sociedade condicionada a lidar apenas com a certeza. Ainda em tenra infância, demonstrar dúvidas, dizer que possui uma informação parcial ou ainda não saber a verdade sobre algo é sempre visto como sinal de fraqueza do espírito ou de uma pessoa sem personalidade que vive perambulando sem objetivos na vida. Nossa cultura supervaloriza a certeza e menospreza a dúvida além de estimagtizar o que seria um comportamento de sucesso: geralmente um indivíduo de personalidade forte que traçou objetivos e seguiu atrás daquilo que queria, mesmo que para manter-se no caminho tenha passado por cima das outras pessoas feito um rôlo compressor. Quando erramos, então, sentimo-nos constrangidos, procuramos esconder o erro, jogar para debaixo do tapete, fingir que não fomos nós e, se não tiver jeito, ainda acusamos o outro. Nem parece que somos humanos. Em uma sociedade assim, cheia de “super-humanos que nunca erram”, como eu vou assumir a minha culpa, a minha derradeira parcela de responsabilidade nas pisadas de bola que eu dou? Não vou assumir a culpa mas nem a pau! Exagêro o que eu estou tentando dizer? De jeito nenhum...

As próprias religiões encarregaram-se de culpar alguém pelos nossos erros há milhares de anos atrás, visto que era difícil lidar com o trauma psicológico das dores, sofrimentos e atrocidades que nós, seres humanos, sempre causamos uns aos outros. Além disso, quer uma melhor forma de controlar a mente das pessoas do que através da religião? Para tanto, trataram de criar a personificação do mal, como se a responsabilidade pelos nossos atos pudesse ser transferida para uma entidade além dos limites do reino humano. Com isso, construiu-se a concepção de mal personificado: demônios, seres das trevas, Satã, Satanás, Belzebu, Lúcifer, Diabo, Capeta, Asmodeus, Excomungado, Senhor dos Infernos e outras derivações de múltiplos nomes e aspectos específicos mas que, na totalidade, ficaram incumbidos de serem responsabilizados pelas besteiras cometidas por seres humanos.

E na prática essa invenção secular começou a funcionar da seguinte forma: Pisou na bola? Foi um momento de fraqueza, foi o diabo quem te tentou... Jogou a culpa no outro? Foram os espíritos das trevas que confundiram o seu discernimento... Matou alguém? Foi Satã quem tomou seu corpo e contaminou a sua alma... Deixou de ter fé? São os demônios que se aproveitam de você e enfraquecem as suas certezas...

Pronto! Estava explicado e resolvido todos os problemas, pois além da criação da personificação do mal poderíamos agora levar vantagem e oferecer o antídoto para todas as moléstias: a religião. Não qualquer religião, obviamente... mas sempre a minha. A minha religião ou Igreja é sempre a mais “eficaz” contra o inimigo mais perigoso do homem: o diabo, o "bode-expiatório" convenientemente inventado para levar toda a culpa (vide o post "Deus é Gente (parte 2)" para maiores detalhes).

Nossa incapacidade em lidar com nossos próprios erros continua a ser asssutadora. Vemos isso todos os dias ao sermos atendidos pelo “infalível” call center das operadoras de telefonia celular, quando os atendentes, em último caso, estão sempre certos. No trabalho, acusar o outro é prática mais do que consolidada, pois indivíduos e empresas (as quais são formadas por conjuntos de pessoas) sempre se encarregam de empurrar os problemas oriundos deles próprios para outras empresas ou pessoas. A certeza não tem obrigatoriedade alguma de estar atrelada ao conceito de verdade e, nos noticiários, ela impera absoluta, com destaque especial para o campo da política. No cenário político nacional, a problemática que tento descrever por aqui aparece de forma doentia e amplamente disseminada: ninguém erra, ninguém pisa na bola, ninguém toma as decisões erradas, ninguém deixa de planejar, ninguém leva vantagem, ninguém engana, ninguém rouba... Mesmo com câmeras registrando tudo as pessoas continuam a negar o erro veementemente, passando a acusar o equipamento ou as circunstâncias envolvendo a gravação. Ou seja, como transgressor, moldo a realidade externa de acordo com o meu interesse particular mas não assumo que estou errado. O universo pode estar errado mas eu não! Impressionante! Nunca vi tantos “super-humanos” trabalhando em um único campo de atuação. É por isso que a política brasileira representa com bastante maestria o orgulho nacional e um exemplo a ser seguido para o restante mundo!

Existe uma atitude mais bonita, mais grandiosa e de humanismo mais transcendental do que uma pessoa admitir que pisou na bola? Que se equivocou? Fez um julgamento falho? Cometeu um deslize? Meteu os pés pelas mãos? E isso parece ser algo cada vez mais raro hoje em dia. Mostrar certeza externamente, mesmo que interiormente você seja um mar de dúvidas é o ideal a ser seguido e mantido a todo custo. Ao invés da dúvida ser encarada como oportunidade de revisão, aprendizado e mudança, é encarada como um sério defeito da personalidade. E no pior dos casos, a certeza forjada pode funcionar como um terrível ferramental de controle, pois quanto maior for a sua certeza (ou fé) em relação ao seu dogma, maior será o nível de manipulação que você sofrerá pela ação de padres, sacerdotes, gurus, mestres ou pastores. Você não apenas será levado facilmente ao ponto em que tais autoridades planejaram, mas também será agente de manipulação de outras pessoas.

Dentro desta perspectiva de inversão de valores, onde a dúvida é menosprezada e a certeza exaltada com todas as forças, sabe quando o mundo irá melhorar? Quando eu e você, caro internauta, começarmos a assumir nossa parcela de responsabilidade dentro do cenário humano, o qual dá continuidade à uma sociedade cheia de certezas e, acima de tudo, abarrotada de hipocrisias...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Em Verdade Vos Digo

No final do post ”Futebol, Política e Religião” eu mencionei que, de uma forma geral, a humanidade não está compromissada com a verdade. Muito pelo contrário, vivemos em um universo de farsas, mentiras e enganações e, paradoxalmente, estamos tão viciados na dissimulação que não interessa mais saber a verdade.

Embora pareça uma alegação pesada, parte disso é possível de ser checada no universo virtual da Internet. Gosto de utilizar duas redes socias: Orkut e Facebook. A primeira rede social passou por uma recente reformulação, assemelhando-se agora com o Facebook. Em ambas, todavia, é impressionante como o famoso ”confete” é utilizado. Adjetivos do tipo "lindo(a)", "maravilhoso(a)" e elogios do tipo "curti", "adorei" ou "amei" dão o tão difundido tom de exaltação e superficialidade que predominam em testemunhais, scraps, comentários, comunidades e mensagens instantâneas. E o elogio, por sua vez, não é necessariamente fundamental; faz parte da cada vez maior necessidade de sermos enganados. Lutamos por isso de maneira doentia, com medo de encarar a verdade dos fatos: não somos o que achamos que somos, pisamos na bola como todo mundo, cometemos inúmeros erros, não vivemos da forma que gostaríamos de viver e o mundo não é da forma que gostaríamos que fosse. Em resumo, as redes sociais são estruturas virtuais sobre as quais criamos mundos virtuais imaginários, de acordo com as nossas carências, desejos e vontades que sentimos no mundo real. Tudo bem que as redes sociais são utilizadas predominantemente para o entreterimento e, sendo assim, não poderiam deixar de ter essa característica de interação humana superficial. Ainda assim, é impressionante como o tom de "enfeite", "máscara" ou "ilusão" é largamente disseminado, com temas que exaltam a alienação e a superficialidade ao ponto das pessoas não se interessarem mais por questões importantes e, portanto, da necessária profundidade exigida em tais situações, muito além do simples "lindo" ou "maravilhoso". Escrevo isso porque tentei várias vezes levar adiante conversas um pouco mais aprofundadas em uma certa comunidade do Orkut e não tive sucesso. Tentando entender não somente a falta de interesse como também a repulsa por conversas mais significativas, refleti sobre o conceito de verdade. Não que eu ache que seja dono da verdade e sim porque percebo que isso parece ser cada vez mais um conceito irrelevante em nossas vidas, sendo mais importante levar adiante um universo de mentiras do que debatermos questões realmente fundamentais, as quais já consideramos equivocadamente como superadas. Ou seja, o mundo é assim, o estilo de vida que levamos é esse mesmo, nossa visão de mundo é a ideal e não me importune com esse papo besta de verdade... Mas será que a vida é assim mesmo e ponto final?

No primeiro filme da trilogia Matrix, sucesso de bilheteria do final dos anos 90, o personagem Morpheus oferece ao personagem Neo uma decisiva oportunidade de escolha representada por duas pílulas: uma vermelha e uma azul. Tomando a pílula vermelha, Neo teria acesso à verdade por detrás dos acontecimentos estranhos que ele estava vivenciando. Tomando a pílula azul ele continuaria "sonhando acordado", levando sua vida adiante no mundo das ilusões criado pelo sistema da Matrix. Tomando a pílula vermelha ele teria acesso à verdade, nua e crua, fosse como fosse, agradável ou desagradável... não importa. Tomando a pílula azul ele continuaria a viver em um mundo de mentiras e ilusões. Quem viu o filme sabe que Neo, por suas características pessoais indagadoras, escolheu a pílula vermelha. E a realidade revelada a ele mostrou-se desagradável mas ao mesmo tempo poderosa e libertadora.

Não muito diferente do que a idéia de alienação do filme, somos todos vítimas da "síndrome do papagaio" no mundo real. Ou seja, nos apropriamos de idéias, conceitos e informações que chegam até nós sem sequer checar a origem e o histórico para saber se são dados verdadeiros ou processos ilusórios provocados por inúmeras distorções ao longo do tempo. Na esmagadora maioria das vezes, repetimos idéias alheias feito papagaios, sem saber se aquilo é algo real ou uma invenção. Começa tudo por aí: não estamos habituados a buscar a verdade e confiamos em praticamente tudo o que chega até nós de forma incondicional. Em segundo lugar, não estamos habituados a reconhecer nossos erros, comportamento que praticamente sepulta a checagem das informações, haja visto que não reconhecemos que uma grande parte das coisas que consideramos certas são meias-verdades ou simplesmente conclusões equivocadas. Em terceiro lugar, sofremos de um acentuado nível de preguiça coletiva: em plena era da informação, na qual tudo acontece de forma automática, toda atividade que requer um pouco mais de tempo e trabalho intelectual é simplesmente descartada por nós. E por último mas não menos importante, não estamos a fim de saber a verdade: nosso medo do desconhecido (é melhor um "ruim conhecido" do que um "bom a ser conhecido") reforça a tradição e impede a quebra dos paradigmas que nos aprisionam. Como resultado, passamos por um incontável número de situações como aquela pela qual Neo passou e, na maioria das vezes, preferimos tomar a pílula azul ao invés da vermelha...

Para aqueles poucos que tiveram paciência de chegar até aqui e se aventuram a tomar a pílula vermelha, eu perguntaria o seguinte: qual seria então o conceito de verdade? Como poderíamos definir esse conceito? A pergunta é óbvia demais? Presunçosa demais? Ou merece um pouco mais da nossa devida atenção?

Aguardem o próximo post...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Brasil Abre as Pernas Para o Vaticano

Eu estava errado ao mencionar ao longo de vários posts neste blog que estávamos caminhando rapidamente para uma Segunda Idade das Trevas. Na verdade, a Segunda Idade das Trevas pode estar já começando! O Brasil está prestes a deixar de ser oficialmente (extra-oficialmente nunca foi) um país laico! A Câmara dos deputados aprovou no último dia 26 o texto base da ratificação do acordo entre Brasil-Vaticano, o qual foi propositalmente mantido em segredo pelo nosso querido presidente Lula, sem dar qualquer satisfação ou submeter a sociedade brasileira à um referendo popular (não é de hoje que eu sinto cheiro de ditadura no ar). Uma pesquisa do IBOPE encomendada pelo grupo “Católicas pelo Direito de Decidir” mostra que 78% dos entrevistados são contrários ao acordo entre Brasil e a Santa Sé. Na pesquisa, até os católicos mostraram-se contra (pasmem!).

O acordo foi assinado no final do ano passado pelo presidente e o Papa Bento XVI em uma solenidade a portas fechadas. O texto apresenta um teor retrógrado sem tamanho, colocando nosso país na mesma situação da determinação republicana do final do século 19, a qual separou as instâncias entre Igreja e Estado. E isso é só o começo do retrocesso. Podemos recuar ainda mais...

O acordo garante uma série de altos privilégios para a Igreja Católica, tais como isenções fiscais para rendas e patrimônios de pessoas jurídicas eclesiásticas, manutenção, com recursos públicos, do patrimônio cultural da Igreja Católica como prédios, acervos, documentos etc., assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar e por aí vai. Além disso, o ensino religioso nas escolas públicas (o qual, do jeito como está, já é um absurdo inaceitável) vai ficar ainda mais abominável com o aumento das garantias da Igreja Católica de manutenção das aulas de religião. Isso abre terreno para a evangelização e doutrinamento de nossas crianças por um modelo estigmatizante e padronizado. A visão de mundo dos nossos jovens, já tão estreita em parte pela influência do Cristianismo, ficará muito pior pelo estabelecimento do Catolicismo no topo da hierarquia religiosa nacional, apoiada pelo próprio poder do Estado. Por conta desse agravamento do modelo educacional público através da interveção da Santa Sé, é oportuno divulgar o depoimento de uma professora do Estado do Rio de Janeiro, a qual comentou que o Estado laico, na verdade, já está morto:

“Nas escolas municipais do Rio foram interrompidas as aulas de educação sexual [em que se ensinava sobre DSTs, fecundação…] para dar lugar ao ensino religioso, por segmentos católicos e pentecostais que são contra a descriminalização do aborto e pregam a abstinência sexual antes do casamento. Esta lei foi sancionada pelo governo Rosinha Garotinho. Também nas universidades o movimento conservador avança muito. Na Escola de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense testemunhei que, ao meio dia, funcionários vão para um culto religioso” (fonte: blog "Mulheres de Olho").

Se o negócio já está neste nível (confesso que fiquei embasbacado quando li), com que intuito o governo fez um “acordo na surdina” para piorar ainda mais, dando poderes à uma religião em particular e com isso gerando mais ódio e repúdio por parte das religiões menos representativas? E outra: quem perguntou se eu quero que os altíssimos impostos que eu pago sejam revertidos na manutenção e proliferação da Igreja? Isso é um atentado à minha liberdade! É dízimo imposto pelo governo! Não posso ser conivente com tamanho absurdo!

É meus amigos... Isso só vai piorar muito as coisas de agora em diante. Minhas previsões não estavam equivocadas em relação ao seu conteúdo e sim em relação ao tempo que demoraria para elas se concretizarem. Além de uma sociedade menos racional agora somos testemunhas de um governo menos racional e mais religioso. Isso, não pode acabar bem. Como ficarão os os ateus e os agnósticos diante de um governo mais religioso? Como ficarão os budistas, muçulmanos, umbantistas e hinduístas? Como ficarão os evangélicos, como a religião que mais ganha espaço em nosso país, diante de privilégios jurídicos que o governo intenciona dar ao Vaticano? Seremos um país mais ecumênico e pacífico por conta dessa arbitrária decisão do Estado em defender uma religião específica? Podem ter certeza que não...

A religião existe desde que o mundo é mundo e nem por isso o ser humano deixou de ser mais violento, tirano, manipulador e ignorante; muito pelo contrário, a religião sempre foi fonte de revolta, conflitos, violência, opressão e guerras. O velho chavão de que uma sociedade mais religiosa significa uma sociedade mais pacífica nunca esteve tão absurdamente voltado de costas para um mundo melhor. Não se garante liberdade religiosa fazendo acordos com uma religião específica. Historicamente, sabemos que isso sempre deu muito errado...

Boa sorte a todos:

Marcio